Guerra de poder (e dinheiro) na GEOX

Caros – todo mundo sabe que tem um monte (*) de dinheiro envolvido no ciclismo profissional. Enquanto escrevo este post está acontecendo uma batalha que envolve dinheiro e poder na recém-formada – e já em pé de guerra – GEOX. Vamos aos diversos aspectos desta estória.

(*) Ainda que seja um valor pífio se comparado com os primos ricos futebol, tenis, golf e automobilismo.

Quem é quem

Geox – presente no mundo todo (incluindo aqui Armênia e Azerbaijão, mas ausente do Haiti…e do Brasil), a GEOX é uma marca italiana de calçados, que resolveu investir no ciclismo para promover seus produtos em escala global. Acontece que para atingir tal objetivo é fundamental participar com sucesso no Tour de France, i.e. não adianta correr e ganhar o Giro, Roubaix e o Mundial que não terá sucesso globalmente. Em outras palavras, sim, o nosso amado esporte é refém do Tour de France.

Mauro Gianetti, ciclista – este suiço de Lugano (daí o nome italianíssimo) foi um corredor modesto de 1986 (quando tornou-se neo-pro) até 1990, para então sucumbir até 1994, quando venceu apenas 1 prova tipo criterium. De repente e não mais que de repente, o bravo Mauro ressurge das cinzas em 1995 com os seguintes resultados: 1o. Liège-Bastogne-Liège, 1o. Amstel Gold Race, 4o. Campeonato Mundial de Estrada (no duríssimo circuito de Duitama, na Colômbia – o pódium foi Olano (ESP), Indurain (ESP) e Pantani (ITA) – nada mal a performance de Gianetti). E terminou o ano em 3o. na UCI World Cup (ranking mundial da época).

Lembro-me bem que Mauro Gianetti tornava-se a grande sensação para provas duras, com montanhas e, dizia-se, quem sabe poderia vencer um Giro ou Vuelta. Só que em 1996 ele caiu um ‘tantinho’ de produção, conseguindo apenas um 3o. lugar em Liège e foi vice-campeão Mundial em Lugano, tendo sido batido em caso pelo Leão de Flandres Johan Museew.

E depois? Mais nada! A carreira dele despencou de novo, até que em 1998, ao final de uma etapa do duro Tour de Romandie, Gianetti caiu desacordado, ficou internado e quase morreu. Nenhum exame mostrava qualquer doença, infecção, etc….até que resolveram investigar possíveis relações com doping e lá estava a resposta: Perfluorocarbon, utilizado para oxigenação do sangue. Apesar da UCI iniciar investigação, sua carreira seguiu até 2002 sem qualquer sucesso digno de nota.

Mauro Gianetti, diretor esportivo – após pendurar a bicicleta, Gianetti embarcou na carreira de ‘cartola’ no mundo do pedal. Como diretor esportivo foi bem sucedido na Saunier Duval, equipe espanhola que teve o nosso grande sprinter Luciano Pagliarini nos seus ranks. Ano passado embarcou como empresário de equipe, com sua empresa TMC, montando a não tão bem sucedida Footon, ou Los Dorados (como era chamada na Espanha) – aqui o site ‘colorido’ da equipe http://footon-servetto-fuji.com/es/home/id/1/.

Mauro Gianetti feliz: "Vocês verão aonde eu vou chegar!"

Seu grande passo, porém, estava previsto para 2011 ao acertar o patrocinio da forte GEOX e os acordos firmados com grandes campeões (do passado recente?…) como o russo Menchov e o espanhol Sastre.

“Deu Zebra…” – porém, com o 2,5 milhões de EUROS da GEOX (fora o que viria de vários outros sub-patrocinadores) e a chancela de dois vencedores de Grand Tours, como Menchov (Giro + Vuelta) e Sastre (Tour), ninguém esperava que a UCI não concedesse a licença PRO TEAM para a equipe de Gianetti.

Isto siginifica que a equipe não está entre as 18 que tem entrada automática no calendário top UCI WORLD TOUR, como Tour, Giro, Vuelta, clássicas, etc. Neste caso, a equipe fica dependente de convite de cada um dos organizadores e isto é uma aposta, uma loteria – sem falar na ansiedade dos ciclistas. E os italianos da GEOX não querem apostar 2,5 mm de EUROS.

A ‘usina de fofocas’ na Europa diz que Gianetti confirmou (em contrato) que a equipe teria acesso garantido ao PRO TEAM e, portanto, ao Tour. Também fala-se (e nega-se) que a GEOX decidiu comprar a equipe TMC, de Gianetti, e passar ela mesma a administrá-la.

Conclusão – ninguém sabe onde isto vai parar, pois já está tudo assinado, mas vai saber as brechas contratuais que os advogados das duas partes irão encontrar. Eu não consegui informações do porque a UCI não deu licença PRO TEAM para a TMC, mas sem ela dificilmente a GEOX vai bancar esta grana toda para a equipe do Signore Gianetti.

Gianetti tem vários desafetos no meio que dizem que ele foi incompetente (junto à UCI) ou pouco transparente (com a GEOX) e lamentam que o ciclismo, neste momento de crise de patrocínio, venha a perder um nome de peso como a GEOX.

Estaremos acompanhando este ‘caso’!

Abraços,

Fernando

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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One Response to Guerra de poder (e dinheiro) na GEOX

  1. Bruno Volpi says:

    Nossa que zica hein!

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