Cavendish x Greipel

Eu não tenho dúvida que, salvo acidente (de fato!), um dos pontos altos da temporada profissional em 2011 serão os sprints. Entre os mais velhos, teremos Boonen em forma e faminto por resultados após um 2010 marcado por contusões, Freire continuará veterano e competente, Hushvold estará ainda mais motivado pelo Mundial (ou alguém aposta na Maldição do Arco-iris para ele? Favor opinar!!).

Mas a coisa vai esquentar mesmo entre os “jovens lobos”, que querem assumir a liderança do grupo. O destaque vai para a grande rivalidade entre os ex-colegas de equipe Mark Cavendish (inglês, HTC-Columbia) e Andre Greipel (alemão, agora na Omega Pharma-Lotto), além do americano Tyler Farrar (Garmin), que atingiu a maioridade em 2010 com vitórias como Vattenfall Cyclassics e Grote Scheldeprijs.

A grande disputa “Cavendish X Greipel 2011” começou na Austrália, antes mesmo dos dois subirem na bicicleta, para a disputa da primeira etapa do Tour Down Under, que só começa só no dia 18.

Round 1: Quando perguntado como estava o relacionamento com o inglês, Greipel respondeu: “There is no relationship” (“Não existe relacionamento”).

Round 2: Quando perguntado sobre se ele havia conversado com Greipel após a saída deste da equipe, Cav respondeu: “Why would I?” (“Por que eu deveria?”).

As nuances idiomáticas demonstram o tamanho da antipatia mútua, colecionada ao longo de 2009-10, quando ambos corriam pela HTC e disputavam a posição de sprinter-maison (como dizem os franceses). Cavendish deu um ultimatum – “Eu sou o melhor e nas provas em que eu correr ele não corre!”. A coisa azedou entre ambos e Greipel não teve saída senão procurar outro emprego. E achou. E dos bons, na Omega Pharma-Lotto, que andava orfã de sprinter, desde que McEwen saiu da equipe.

Enfim, teremos sprints memoráveis ao longo deste ano entre estes dois protagonistas das longas retas finais. Só que, apesar de todo profissionalismo do esporte, sabemos que sprints e sprinters são perigo puro quando está tudo bem…imagine quando existe ‘bad blood’ entre eles! Sinceramente, eu não gostaria de estar embolado nestes sprints, até que eles se resolvam minimamente fora da corrida. Ambos são muito jovens, cheios de hormonios ativados e muita ambição! Há, portanto, grande tendência de fazerem bobagem. Acho que ambos serão chamados por seus diretores, líderes e até por adversários mais velhos, caso exagerem e causem risco (excessivo) de queda.

Por outro lado, os dois tem como meta a vitória na Milano-Sanremo, no fim de março, e me parece que nenhum dos dois deveria estar no pico da forma ou da rivalidade nesta altura da temporada. Greipel, por outro lado, sempre performa muito bem na Austrália. Vamos acompanhar!

Greipel em 1o. e Cavendish, todo feliz, em 2o.: Bons tempos que não voltam mais!

Históriaa história do ciclismo sempre foi pautada por rivalidades dentro das equipes (Bernard Hinault e Greg Lemond, nos anos 80, quando corriam pela La Vie Claire; Gilberto Simone e Damiano Cunego, pela Saeco, no Giro d’Italia de 2004; e mais recentemente entre Lance Armstrong e Alberto Contador, ambos correndo pela Astana).

Mas quando a briga é nas montanhas tudo se resolve mais facilmente, pois o mais forte segue em frente e larga o mais fraco. Pepino mesmo é quando a rivalidade se dá entre sprinters. Destaco abaixo dois exemplos de profissionalismo, coleguismo e outros ‘ismos’:

  1. Anos 70, equipe Flandria, sprinters Freddy Maertens + Marc Demeyer (ambos belgas): O gigante Marc Demeyer já tinha vencido uma (então prestigiosa) Paris-Bruxelas (1974) e a Paris-Roubaix (1976), mas passou a dedicar-se de corpo e alma para seu colega mais jovem e mais rápido. Freddy Maertens ME DISSE PESSOALMENTE (esta história eu conto outro dia) que foi graças a Demeyer que ele venceu centenas de sprints, incluindo dezenas de etapas do Tour, Giro e Vuelta entre 76 e 78.
  2. Anos 2000, equipe Milram, sprinters Eric Zabel (ALE) e Alessandro Petacchi (ITA): quando a Milram anunciou que colocaria os dois sprinters para correr nas mesmas provas eu disse: “Enlouqueceram de vez!”. Errei feio! O já veterano Zabel continou vencendo (ainda que menos) e ajudou o italiano, que estava no seu auge, a vencer muito. Nunca se ouviu falar de qualquer rivalidade entre eles.

Coleguismo genuíno e vitórias

E que venham os sprints tórridos de 2011!!!!

Abs, F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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9 Responses to Cavendish x Greipel

  1. José Carlos SBC/SP says:

    Putz, ja acabou o texto?!?!
    abraço

  2. Albertone says:

    Espero é que tenham muita responsabilidade (característica essencial para sprinters e embaladores) e que tenhamos belíssimos sprints.
    Acho que a Garmin Cervelo estará muito competitiva. Façamos as apopostas!

  3. FabioTux says:

    Ano passado já foi bem interessante a disputa dos sprints, entre Cavendish/Farrar/Hushovd. Esse ano será mais quente ainda!

    Eu confesso que prefiro as provas de montanha, mas um sprint c/ direito a cabeçadas e guidões batendo freneticamente são de aplaudir de pé!

    E que venha a temporada 2011!!!

    BTW, parabéns pelo Blog! Estou acompanhando com a mesmo interesse e admiração que o MagliaRosa (conheci seu blog lá).

    Grande Abraço!

  4. vander says:

    Farrar / Cavendish / Greipel / Hausler / Freire / Hushvold / McEwen …
    Sem esquecer de Petacchi, Pipo Pozato (que deve estar aprendendo alguma coisa com o Rei Leão).. e por ai vai..
    Vai ser bonita a (cabeçada) briga.
    ótimo post

    • Hausler é uma boa aposta, Vander. E eu andei lendo que o Graeme Brown (AUS, Rabobank) está confiante que dará trabalho para Cavendish e Greipel. Mas se aos 31 anos de idade não se tornou um favorito do sprint (1 vitória em 2010), será que agora se tornará?…

      • Gustavo says:

        Fernando, fiz um comentário endereçado a você no post “O fascínio dos Jogos Olímpicos”. É apenas uma lembrança…rs…

  5. José Carlos SBC/SP says:

    O Greipel ainda tem que provar nas grandes provas, o Cavendish todos ja conhecem, só que ele é muito afobado, espero que não faça nenhuma besteira na reta final, rsss
    Boto muita fé no Farrar e no Boonem com Petacchi e Freire vindo por fora usando a experiência.
    Quanto ao Thor, só vejo ele tendo alguma chance quando a chegada vem após um trecho inclinado, caso contrario……

  6. Eduardo says:

    Acho q em 2011, o sprint mais importante será em Copenhagen no dia 28/9.

  7. André Vianna says:

    Quem começou a briga entre eles?

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