“Equipe Brasileira Termina o Tour de France”

<< Este post é dedicado para o José Carlos (SBC), que vem propondo esta importante discussão faz tempo>>

Caros – a pergunta é a seguinte: “Quando uma equipe brasileira conseguirá concluir um Grand Tour?”

Primeira provocação: estamos falando de uma equipe brasileira só com brasileiros ou uma cheia de estrangeiros? Hoje em dia – e não é de hoje – as equipes pro têm ciclistas de vários países, sendo verdadeiras Torres de Babel. E no Brasil não é diferente. Eu sou do tempo que ciclista argentino ou uruguaio não concebia correr por aqui. Hoje é diferente e isto é uma honra para nós brasileiros, pois isto valoriza nosso país e o nosso esporte. Por outro lado, eu torço para que tenhamos dúzias de ciclistas brasileiros com potencial para correr no exterior…coisa que ainda está distante, na minha opinião.

Experiência internacional recente – em 2010, a finada equipe Scott-Marcondes Cesar, de S.J. dos Campos, participou do Presidential Tour of Turkey (a Volta da Turquia), que é uma prova de 8 etapas, em torno de 1.200 km de distância e com um pelotão de nível médio, sem nenhuma grande estrela. O vencedor foi o italiano Giovanni Visconti, que não passa de um bom ciclista e o super sprinter Andre Greipel não teve concorrência de peso.

E o que aconteceu? Em termos relativos, eu acho que nossa equipe verde-amarela teve uma ÓTIMA participação. Nossos ciclistas passaram anos correndo estas provas curtinhas e pouco desafiadoras daqui, com pouquíssima exposição (séria!) lá fora. Enquanto isso, ciclistas como Signore Visconti e Her Greipel passaram a vida correndo grandes provas pela Europa.

Agora, em termos absolutos, o resultado da Scott foi fraco. Ponto.

  • O melhor colocado da equipe foi um russo, com um 31o. lugar
  • O melhor colocado do Brasil foi Daniel Rogelin, que ficou em 52o. lugar
  • No total, 5 ciclistas da equipe concluiram a prova, com dois deles fechando a classificação geral
  • Nenhum ciclista fez sequer um Top 3

Se considerarmos que a Scott foi uma equipe com a melhor infraestrutura que se viu no Brasil nas últimas décadas, e teve este nível de colocação, o que dá para se esperar em Grand Tours, com seus 3.500 km de distância e 5-6 ou mais etapas de alta montanha? Nada. Hoje – e por vários anos – nenhum ciclista que corra no Brasil tem chance de concluir um Grand Tour.

Francamente, eu acho que se fizermos tudo certo a partir de hoje, só em 2020 teríamos condição de colocar uma equipe verdeamarela numa Vuelta ou Giro…no Tour eu ainda não consigo enxergar, pois lá a concorrência é imensa.

Importante!! O problema não está na qualidade do ciclista brasileiro! Nossos poucos compatriotas que tiveram uma oportunidade lá fora, tiveram performances muito boas. O problema é todo o resto!

  1. O esporte não tem tradição – e fatos como a falência da equipe Scott e o escândalo do doping não ajudam nada. Isto afasta a mídia em geral, participantes e patrocinadores
  2. Sem dinheiro não dá para fazer grandes provas
  3. Sem dinheiro não dá para se criar equipes com infraestrutura decente
  4. E, principalmente, sem dinheiro não dá para pagar salários dígnos para os ciclistas, não se criando um pelotão grande o suficiente para extração de massa crítica – infelizmente, é do volume que se tira qualidade, salvo as excessões de sempre

Tudo isto posto, vem daí a minha visão conservadora.

Abraços e vamos começar a mudar este quadro hoje!

Fernando

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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4 Responses to “Equipe Brasileira Termina o Tour de France”

  1. Minha esperança morreu de uma equipe brasileira no Tour morreu junto com o término da equipe Scott, temos um longo caminho à seguir, começando com o maior número de atletas correndo em equipes de ponta na Europa e Eua passando por estruturação do nosso campeonato brasileiro e aperfeiçoamento das equipes do nosso país, só assim conseguiremos chegar a esse seleto grupo.

  2. Rogério Yokoyama-Palmas-TO says:

    Não querendo ser pessimista, mas da mesma forma que a Bélgica , num horizonte de uns 20 anos, não será uma potência do futebol mundial, creio que também o Brasil não conseguirá tal feito ( ser uma referência ciclística ). Se o Voleybol brasileiro , campeão olímpico e mundial, tem problemas de patrocínio, o que esperar do ciclismo ?
    Devemos ter esperança e lutar sim. Mas a realidade que se mostra é essa . Talvez o ciclismo de pista possa trazer surpresas em 2016, considerando a quantidade de medalhas que podem ser amealhadas nessa modalidade e assim eu torço.

  3. José Carlos SBC/SP says:

    Fernando, obrigado pela consideração.
    O problema nem são dos atletas, visto que no Brasil não temos provas mais longas, talvez se tivessemos mais provas de rua/estrada como temos nas corridas de rua, as coisas poderiam acelerar um pouco.
    O Desafio da Serra de Campos ja é uma realidade, como outras tambem.
    Quem sabe as organizadoras de corridas de rua não se interessem pelo ciclismo tambem. Afinal tudo se resume a lucros, e é nitido que o numero de ciclistas estão aumentando.

  4. Juca says:

    O José disse algo bem interessante: as provas que tem aqui! são provas de canteiro e quarteirão e isso não é ciclismo! infelizmente cita-se também que os organizadores não tem $$$ para realizarem provas dignas! Mas eu também pergunto: Será que que na Colombia eles tem tanto $$$ disponivel também, pois sempre tem algum colombiano bom de estrada, pista ou MTB? ae deve entrar a tradição… enfim resumindo: estamos ferrados! rsrsrrss

    Por falar em Giovanni Visconti, o atual maglia tricolore é companheiro de equipe do Otavio Bulgarelli, e o ciclista campineiro (mas que é mineiro kkk) postou um vídeo no Facebook deles treinando essa semana.
    http://www.facebook.com/video/video.php?v=1643010069219&comments

    abs

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