O Revolucionário Lance Armstrong

Acabo de ler no Cyclingnews uns comentários de Lance Armstrong, que está na Austrália para o Tour Down Under (sua última corrida profissional fora dos EUA, segundo ele). Ele disse:

“We revolutionised the way people train, the way they build morale in the team, the way they preview the courses, the way they race, the way they sell the sport, the way they tell that story around the world.”

Traduzindo: “Nós revolucionamos a forma de treinar, a forma de construir o moral da equipe, a forma de prever as corridas, a forma de correr, a forma de vender o esporte, a forma de contar a história pelo mundo”

Grandes revolucionários à frente de seu tempo...

Tirando a piada, de fato Lance revolucionou um bocado de coisa. Mas ele não foi o primeiro. No início dos anos 80 Greg Lemond era uma estrela solitária, rompendo com a tradição européia (que sempre foi um tanto arcaica, cá entre nós). Como eu já lia Mirroir du Cyclisme naquela época – que aqui chegava com dois meses de atraso! -, ficava claro como os franceses achavam Lemond um “capitalista voraz”…Lance fez muito, mas pegou o terreno bem aplainado pelo seu hoje arqui-inimigo.

Abraços! Fernando

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
This entry was posted in Notícias - Internacional and tagged , , , . Bookmark the permalink.

8 Responses to O Revolucionário Lance Armstrong

  1. vander says:

    Ele se acha “o cara” mesmo..
    Tem seus méritos sim.. mas não foi isso tudo que ele acha ser não.

  2. Juca says:

    Olha, esse americano não corria o Giro, a Vuelta, as clássicas, e um outro monte de provas bacanas! Mas eu tiro o chapéu pra gana de vencer o Tour que esse cara tinha! Schleck, contador e o resto não tem nem de longe a objetividade de ganhar um Tour igual teve esse americano!

    Quanto ao Lemond, esse também foi uma lenda! era um cara meticuloso também, dizem que ele foi o primeiro a usar um clip durante um crono!

    abs

  3. José Carlos SBC/SP says:

    Se tem uma coisa que ele tem, é fé nele mesmo, dando uma declaração dessa mesmo estando ainda sob investigação.
    Ele sempre será lembrado como o Sr Tour, mas sempre carregará o fardo de sempre alguem colocar no rodapé que ele corria dopado.
    Se corria limpo, merito dele, se utilizava de substâncias ilícitas, taí uma coisa que ele revolucionou: um meio burlar o sistema e de nunca ter sido flagrado.

  4. Gustavo says:

    Faltou dizer “revolucionamos também a forma de ganhar muito, muito dinheiro…” rs… (embutido talvez no a “forma de vender o esporte”…)

  5. Bortolin Furlanetto says:

    na minha humilde opinião, o câncer é que sofria de Lance Armstrong.

  6. Agradeço e parabenizo os comentaristas pelas opiniões, bom humor, contribuição de video, etc. Isso valoriza muito qualquer blog! Abs, F.

  7. Sômulo N Mafra says:

    Gostei do post, principalmente pelo reconhecimento prestado ao Lemond.

    Tenho minhas dúvidas se a carreira de Lance (e seus contemporâneos, Hamilton, Leipheimer, Landis, Hincapie e cia) teria sido a mesma sem o sucesso precoce de Lemond no início dos anos 80. O ciclismo norte-americano antes dele era bem arcaico, a julgar pelos métodos de treinamento ultrapassados, filosofia de trabalho etc.

    Em seu livro (excelente e obrigatório) ‘Complete Book of Bicycling’, Lemond comenta sobre as críticas recorrentes que recebia dos treinadores americanos da época por seus treinos considerados “pesados” para sua idade. Isso até ele viajar pra Europa, e descobrir que os adolescentes europeus treinavam muito mais duro que os “prós” americanos!!

    Além disso, na época a filosofia americana era apostar no esporte amador visando aos jogos olímpicos. Sorte do Ciclismo que Lemond se mudou pra Europa, e virou um profissional brilhante.

    • Eu concordo com você, Sômulo. Lemond abriu, escancarou as portas para Lance e demais. Mas Lance até o câncer era apenas um bom ciclista de Clássicas, com grande potencial para ser um dos melhores do mundo…em Clássicas e pequenas Voltas (como uma Paris-Nice). Ele não demonstrava qualquer aptidão para Grand Tours. O que mudou a vida dele foi mesmo o câncer e a forma com que lidou com ele.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s