E por falar em revolucionários…

Ontem postamos sobre Lance Armstrong, mas citamos brevemente o seu compatriota Greg Lemond. Aí o Juca comentou sobre a inovação do Lemond e isto me inspirou para escrever este post.

Sim, Juca, Lemond foi o primeiro ciclista (conhecido) a usar o clipper – na época chamado de “guidon de triatleta” pelos franceses. E foi simplemente por causa deste guidon que ele venceu o Tour 1989, por 8 segundos, em cima do recentemente falecido Laurent Fignon. Olha a foto!

Milagre fotografado em alta definição!

O que aconteceu – em 1989 Lemond não era considerado páreo para seu ex-companheiro de equipe e chegou no último CRI em Paris com 40 segundo de atraso em relação a Fignon (que vestia o Maillot Jaune!). Eu e o mundo considerávamos esta última etapa como ‘favas contadas’. Mas…ele meteu 48 segundos em Fignon e levou o Tour.

O engraçado, ou trágico, é que os primeiros inovadores na bicicleta contra-relógio foram … Fignon e sua mega equipe Renault-Elf Gitane. Juro que tentei, mas não consegui achar uma foto do ‘guidão lança’ que ele usaram em 1983/84. Só que eles não continuaram inovando, deixando para Lemond o privilégio e a conquista.

Francesco Moser – o Grande Trentino de Palú di Giovo foi uma lenda na segunda metade dos anos 70, tamanho número de vitórias em Clássicas que obteve. Ele venceu a Paris-Roubaix de 78 a 80 (Tri-campeão!), o Giro di Lombardia de 75 e 78, o Mundial de Estrada em 77 e o Super Prestige Pernod International de 78, além de Flèche Wallone, Paris-Tours e muitas outras. Nada mal, não?!… 

Mas a idade chega para todo mundo e Moser entrou numa rota declinante, limitando-se às vencer semi-Clássicas italianas e etapas do Giro. Aí o Time Ferrari-Conconi-Sassi-Benotto entrou em cena e transformou a carreira de Francesco Moser. A idéia – muito bem sucedida – era quebrar o Recorde da Hora! 

Agora, reflita comigo: se no seu ápice Moser nunca foi páreo para Merckx, como ele iria quebrar o marca do belga já estando veterano (33 anos) e declinante? Foi aí que seus assessores mudaram sua alimentação e treinamento. Criaram roupas especiais, de cima (gorro e capacete) a baixo (sapatilhas cobertas). E Moser criou sua própria bicicleta revolucionária (com o apoio dos seus tradicionais parceiros Benotto), apresentando para o mundo as “rodas lenticulares” (porque remetiam a ‘lentes’). Tudo isso em 1984.

No vácuo desta grande revolução Moser ainda venceu o seu tão almejado primeiro (e único) Giro d’Italia (em cima de um certo…Laurent Fignon! Oh sina!) e a igualmente desejada e tantas vezes negada Milano-Sanremo.

1 hora = 51,151 Km = Pura Inovação

 

Abraços! F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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5 Responses to E por falar em revolucionários…

  1. Sômulo N Mafra says:

    Pequena correção: a diferença entre Fignon e Lemond na última etapa eram 50 segundos (e não 40).

    Fiquei curioso sobre episódio do guidão-lança. Não tinha a menor ideia disso. O estranho foi não ter vingado, nem pela equipe Renault, nem pelas outras equipes. De repente faltava uma vitória “maiúscula” como a de Lemond em 89 para popularizar o clip de triatlo…

  2. Sômulo N Mafra says:

    Achei interessante essa frase:

    “Mas a idade chega para todo mundo e Moser entrou numa rota declinante, limitando-se às vencer semi-Clássicas italianas e etapas do Giro.”

    Taí o que eu chamo de “ponto de vista”. Vencer algumas etapas de Giro pode ser considerado uma “rota declinante” para um ciclista vitorioso como Moser, mas esse feito certamente, seria considerado o auge da carreira de muitos outros ciclistas!

  3. Zaka says:

    Não esqueçamos que Moser teve uma ajuda do deus do vento Éolo no CR do Giro.

    http://magliarosa.wordpress.com/2009/10/08/outra-lenda/

    • Bom ponto, Zaka. E tem mais um…mais difícil de provar que era maracutaia: o cancelamento da duríssima etapa de Selva de Val Gardena, nos últimos dia do Giro. Era obvio que Fignon meteria uns 3 minutos em Moser e o Giro estaria decidido. Mas os italianos acharam que seria perigoso correr com tanta neve por perto e…deu Moser! Tenho a Mirroir du Cyclisme que esculhamba os italianos até não poder mais!!🙂

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