Pedala, Rei Momo!!

Pedala, nada! Pelo que leio dos amigos ciclistas do Facebook é só chuva em todo canto! Estou em Campinas, num hotel voltado para o filhos e esperava pedalar por aqui e nada…nem bici de spinning tem aqui. Droga!

Também andei fora da net e só agora estou me atualizando das belas corridas de março. Vamos aos resultados:

1. Vuelta a Murcia

Foi uma corrida de 3 ciclistas disputando a vitória, uns 150 lutando para sobreviver e ter um momento de glória, e outros poucos tentando ganhar forma para sucesso futuro.

Quanto aos três primeiros, a classificação das duas etapas sérias (a 2a de montanha e a 3a de CRI) e a Classificação Geral final mostraram isso:

1 Alberto Contador Velasco (Spa) Saxo Bank Sungard 9:27:18  
2 Jerome Coppel (Fra) Saur – Sojasun 0:00:11  
3 Denis Menchov (Rus) Geox-TMC 0:00:17

Boa surpresa ver o Contador tão forte. Explico: com todas as atribulações jurídicas e pressão de imprensa, patrocinadores, etc., seria normal o ‘Pistolero’ perder o foco, treinar menos e não estar tão em forma. Mas ele mostrou estar na ponta dos cascos!

O mesmo pode se dizer do Menchov. O russo, apesar do desgosto de não correr o Tour em julho, parece ter encontrado motivação para treinar forte e chegar no Giro como favorito para um bicampeonato.

Mas a surpresa mesmo, para mim, foi este Jêróme Cope, da Saur-Sojasun. Lembram-se do post em que eu comentei a escolha (bem criticada) da direção do Tour, deixando equipes como GEOX de fora e colocando várias equipes francesas meia-boca? O Prudhome, diretor geral da ASO, justificou a presença da Saur-Sojasun por conta da habilidade deste jovem francês Copel. Eu li aquilo com todo cinismo do mundo….mas ele acaba de calar a minha boca (ainda que temporariamente).

Vitória na Route Adelie, importante semi-Clássica francesa, em 2009

O destaque negativo é Carlos Sastre, com uma performance inversa ao seu colega Menchov: tomou 14 minutos de Contador na etapa de montanha. Se o espanhol está escondendo o jogo, eu diria que ele escondeu tão bem, mas tão bem…que nem ele achou.

2. Paris-Nice

La Course au Soleil (A corrida do sol). Adoro esta corrida, que existe desde 1933. Curiosamente, sua propriedade já mudou de mãos algumas vezes nos últimos 20 anos, tendo um certo Laurent Fignon como seu dono durante alguns anos (mas, segundo ele, não ganhou dinheiro e vendeu-a). 

A prova se desenvolve em 7 ou 8 etapas, sendo 5 planas, uma de montanha lá pelo meio da França (sem Alpes ou Pirineus) e uma subida dura em contra-relógio no famoso Col d’Eze. Este Col eu conheço bem, porque já fiquei hospedado lá perto e dirigi por ele. Parede…

A vista é d-e-s-l-u-m-b-r-a-n-t-e....mas dá para observar?...

Tive a sorte de aproveitar uma ida para a Europa a trabalho, dar uma esticadinha e assistir 3 etapas ao vivo. Foi em 1997, época em que Jalabert reinava…e lá reinou. O meu então ídolo supremo dos sprints, Tom Steels (MAPEI) venceu só 4 etapas e até me cumprimentou quando eu o filmei de perto após a última etapa. Foi muito legal também participar de um jogo de perguntas e respostas, promovido pelo locutor oficial da corrida (o famoso e histórico Daniel Mangeas, que narra o Tour de France desde outro dia…1974! E eu até ganhei uma camiseta por ter acertado uma pergunta (“Quem foi o 4o colocado no Tour ’96?”) – ter entendido a pergunta em francês, assim de bate-pronto, e ser mais rápido do que aquele monte de francês foi uma façanha que me recordo com orgulho…enfim, chega de egotrip!

A Paris-Nice é uma corrida curiosa, porque de tempos em tempos aparece um ‘dominador’ que a vence com frequência – pelo menos isto acontece com mais frequência do que em  outras provas:

  • Anquetil – 5 vitórias
  • Merckx – 3
  • Poulidor – 2
  • Zoetemelk – 2
  • Kelly – 7 (ignorante!!)
  • Roche – 2
  • Rominger – 2
  • Jalabert – 3
  • Indurain – 2
  • Vinokourov – 2
  • Contador -2

Note que não tem bobo na lista de vencedores! O meu ídolo maior, Freddy Maertens, venceu em 1977, com 4 vitórias de etapa.

Mas chega de história: ontem começou a Paris-Nice e uma fuga oportunista de 3 ciclistas deu certo…por pouco. Olhem a foto da chegada, com o pelotão quase engolindo os fugitivos. A vitória ficou com o jovem belga Thomas de Gendt, da Vacansoleil, seguido de Jérémy Roy, da FDJ, enquanto o terceiro elemento da fuga, o sempre-em-forma Jens Voigt (Leopard), acabou em 6o, pois não resistiu à chegada do pelotão.

Em Paris a ousadia rendeu frutos saborosos!

Hoje, após 202 km de prova, tivemos um sprint sem muitas surpresas, com a seguinte classificação:

1 Greg Henderson (NZl) Sky Procycling 5:00:56  
2 Matthew Harley Goss (Aus) HTC-Highroad    
3 Denis Galimzyanov (Rus) Katusha Team    
4 Heinrich Haussler (Aus) Team Garmin-Cervelo    
5 Peter Sagan (Svk) Liquigas-Cannondale    
6 Romain Feillu (Fra) Vacansoleil-DCM Pro Cycling Team    
7 Jurgen Roelandts (Bel) Omega Pharma-Lotto    
8 Jose Joaquin Rojas Gil (Spa) Movistar Team    
9 Tomas Vaitkus (Ltu) Pro Team Astana    
10 Danilo Wyss (Swi) BMC Racing Team

Abraços e esquindô, esquindô!! Carnachuva!!

Fernando

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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4 Responses to Pedala, Rei Momo!!

  1. Gustavo says:

    Aqui em Brasília a chuva deu um refresco ontem pela manhã, e pudemos fazer o Pelotão Super 60, dessa vez como uma forma de protesto pelo que ocorreu em Porto Alegre, com um motorista atropelando muitos ciclistas, e também pela nossa selva diária na capital da República, onde morrem atropelados cerca de 70 ciclistas por ano. Foi bacana, mais de 200 ciclistas compareceram, fizemos um giro de 70 km pelas pistas da cidade, em um ritmo tranquilo, deixando uma faixa para os carros, aquele mar de ciclistas.

  2. Juca says:

    Ae Gustavo á você e aos seus amigos minha admiração e apreciação pelo protesto por melhores condições aos ciclistas (sejam eles esportistas ou usuários da bike para lazer ou locomoção!) de Brasília e do Brasil! E infelizmente esperamos que o fato ocorrido em POA seja lembrado como ação de um ser ignorante que não deve conviver na sociedade! Ae Fernando, da próxima vez que vir pra Campinas dá um toque que a gente marca um pedal leve (respeito idosos Kkkkk, brincadeirinha…).

    abs

    • Gustavo says:

      Pois é, Juca, nessa última semana participei de dois movimentos de ciclistas em protesto ao que ocorreu em Porto Alegre. Além do Pelotão Super 60 (tem esse nome porque em geral faz uma volta aqui no Lago Paranoá, o que dá cerca de 60 km), houve outra manifestação, dessa vez da turma do “Bicicletada”, e fui também dar uma força. Nessa fomos até o Congresso, e fizemos um agito lá, acabamos participando de uma reunião da Comissão de Direitos Humanos, e demos um recado lá. O jeito é protestar, para ver se um dia mudamos a realidade das nossas cidades, em geral muito hostis ao ciclista.

  3. Rogério Yokoyama-Palmas/TO says:

    Chuvas horríveis !

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