Sociologia e Geografia do Ciclismo Brasileiro – Parte II

Dando continuidade ao post de ontem, você já parou para pensar de onde vêm os melhores ciclistas do Brasil, aqueles que vencem as grandes corridas e vão para a Seleção Brasileira? Você já se fez esta pergunta ou se contenta em analisá-los sob a ótica da equipe, i.e. os melhores ciclistas foram da Caloi ou da Pirelli, ou são da FUNVIC/Pindamonhangaba  ou da DATARO ou da Memorial…

Este post valoriza ciclistas que tiveram considerável sucesso em nível nacional e que tenham participado de Seleções Brasileiras (Elite). Como falta informação (e tempo!), não destaco campeões regionais, que certamente seriam muito mais do que os aqui listados. Também não consegui ir muito além dos anos 70…

Novamente, eu não fiz uma pesquisa cientifica. Na verdade, faço uso da minha memória (que é grande…porque já sou Master A… rsrs…e do Google, porque ninguém é de ferro).

Outro ponto para ficar na sua cabeça, prezado leitor: eu conheço muito melhor o ciclismo brasileiro do passado do que o recente. Então, fiquem à vontade para fazer contribuições de nomes mais jovens.

Paraná, o Estado campeão!

Neste aspecto eu desafio qualquer um a me desmentir. Saíram do Paraná grandes nomes (talvez os melhores nomes) do ciclismo brasileiro. Os exemplos abundam. Que tal Antonio Silvestre (campeão panamericano e recordista mundial de perseguição individual junior), Ruberli Rios, José Carlos de Lima, Gilson Alvaristo,Ary Mateus, Antonio Hunger, Salvador de Abreu, Marcos Mazaron (presidente da Federação Paulista), Laércio Ipojuca, João Rubens Masson, Ivo Nunes, Renato Ferraro, Hernandes Quadri Jr., José Luiz Vasconcellos (atualmente presidente da CBC), Nilceu “The Flash” Aparecido, Paulo Jamur e Davi Romeo (este último, destaque recente nos velódromos). Entre os profissionais que correram na Europa temos Luciano Pagliarini, Mauro Ribeiro e Renan Ferraro.

O que será que existe nas estradas daquele Estado, para gerar tanto ciclista campeão?! Curiosamente, o Paraná produziu, proporcionalmente, muitos mais estradeiros do que velocistas.

Santa Catarina, um muito honroso vice-campeonato – os “barrigas verdes” podem reclamar!

Na década de 70 tiveram o grande Milton Carlos Della Giustina, sprinter e velocista, e os irmãos Severino e Valério Faez. A partir daí surgiram diversos homens rápidos, a começar por Hans Fischer, Ailton de Souza e Marcelo Greuel. Os grandes nomes da estrada que me vem à mente são Jair Braga (nascido lá, mas acho que correu no Paraná antes de vir para S.Paulo), Erivan Arcanjo de Lima e Marcio May. No campo profissional europeu temos o grande Murilo Fischer.

E São Paulo?!?!

A poderosa São Paulo Capital, grande força econômica do Brasil, já produziu grandes campeões, porém muito menos do que se poderia esperar. E mais especificamente nos anos 70, quando a Caloi investiu pesado no esporte – tanto através da sua equipe quanto na promoção de eventos de grande visibilidade – mandava também na Federação Paulista. E esta mesma Federação, que funcionou brilhantemente nas mãos do tragicamente falecido Antonio Fortino, promovia os famosos Campeonatos de Bairros e a Copa Staroup, eventos de onde saíram grandes campeões.

Nomes? Na estrada destaco Miguel Duarte (tio e sobrinho, ambos da Seleção e vencedores da Prova 9 de Julho), João Manoel Lourenço e Fernando Louro – todos da Caloi. Nelo Breda foi outro com presença freqüente na Seleção Brasileira, inclusive como Diretor Técnico. Mais recentemente Patrique Azevedo brilhou e venceu a 9 de Julho no início dos anos 2000. Os irmãos Secco (Luiz Roberto, José Carlos e Luiz Fernando) foram outros destaques, assim como Gunter Sigl, Nicola Amorezano e Osmar Campezato, todos jovens oriundos das categorias de base.

No velódromo tivemos grandes nomes paulistanos, como Dalemar Gudin, Eduardo Bifulco e o medalhista panamericano Clóvis Anderson (e 10º no Kilometro nos Jogos de Seul). Seguramente estou me esquecendo de outros grandes nomes que participaram de nossas Seleções, mas memória tem limite…

Interior e Litoral de São Paulo – grande celeiro de campeões.

Só nos velódromos tivemos os super campeões Anésio Argenton e Roberto Barbosa, e nos anos 80 o Joel de Oliveira. Nas estradas bilharam Joaracy Mariano de Barros, Daves Fernandes Pereira, Gabriel Sabião Rodrigues, Andre Grizante e mais recentemente Otavio Bulgarelli, que é profissional na Itália.

Das praias de Santos vieram Ricardo Venturellli, José Cyrillo e Julio Cesar Paterlini, que chegaram na Seleção Brasileira de estrada, além de Sergio de Carvalho Jr. e Osvaldo Tavares no velódromo.

Outros Estados

Aqui o risco de erro é ainda maior, dado que as informações são escassas e não consigo pensar em mais nomes:

  1. Rio de Janeiro – Elvio Siqueira Barreto, campeão brasileiro em 1975, Seleção Brasileira, pódium na Prova 9 de Julho
  2. Minas Gerais – Cássio de Paiva Freitas, vencedor da Volta a Portugal, do Algarve, etc., Seleção Brasileira, 20º na prova de estrada dos Jogos de Seul, etc., etc. – e tido por concorrentes como o melhor passista da história do Brasil
  3. Goiás – Wanderley Magalhães, que dividiu com Cássio as maiores vitórias no Brasil nos ano 80, subia e sprintava como ninguém, foi profissional na Bélgica e venceu várias provas (equipe Lotto). Seu irmão, Tony, também brilhou mas com menor intensidade
  4. Brasília – Rodrigo “Morcegão” Brito, grande sprinter que correu pela Caloi e venceu muitas corridas importantes no Brasil

Uma grande surpresa para mim é a falta de um grande nome do Rio Grande do Sul, especialmente por este ser um Estado pioneiro no ciclismo brasileiro. Porto Alegre já tinha velódromo no inicio dos anos 1900 e a imigração européia (alemã e italiana) sugere que teriam um ciclismo forte na terra dos Pampas. Mas não é isso que tenho registrado. Alguém explica?

Os outros Estados que me perdoem, mas não tenho registro de grandes nomes que tenham brilhado em nível nacional e que tenham participado da Seleção Brasileira.

Por favor, contribuam para este post, que visa resgatar a memória do nosso esporte.

Abraços, F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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19 Responses to Sociologia e Geografia do Ciclismo Brasileiro – Parte II

  1. Eduardo says:

    Outro excelente post Fernando.
    Aqui no RS temos um gaúcho que foi campeão brasileiro elite de estrada com 40 anos de idade! Valcemar Justino da Silva. http://en.wikipedia.org/wiki/Valcemar_Justino_da_Silva

    • Muito obrigado 2x, Eduardo! Excelente contribuição sobre o Valcemar. Mas ainda assim me chama a atenção pelo fato do Estado não haver produzido campeões nacionais nos anos 70, 80. Outro dia eu falava com o José Marques, lendário ciclista português radicado no Brasil (correu por Caloi, Pirelli, etc.), que me dizia sobre a Volta de Porto Alegre, que já era uma grande Prova nos anos 70. Abraço!

  2. Pacífico Delai says:

    Fernando, sempre observei isso, do paraná ser um celeiro no ciclismo, eu também iniciei o meu ciclismo lá, não querendo me comparar a estes nomes que você citou, tive uma presença melhor no Mountain-bike, mas onde estou querendo chegar é que tanto eu como os Ferraros, nascemos no Rio G. do sul, só que começamos o esporte no Paraná. e quanto aquele comentário sobre da Imigração Européia somos descendentes de Italianos.
    Forte abraço.

  3. Eduardo Rogério Frezzarin says:

    Fernando, Que saudades desse tempo… Fui campeão da Copa Staroup de 1979 na categoria Infantil. DuFrezzarin de Sumaré… (10 vitórias consecutivas e mais algumas)
    Nosso acesso a SP era muito dificultoso, dependiamos de kombis das prefeituras e nem sempre estavam disponíveis, épocas difíceis. Alguns nomes que me vem a cabeça tanto da Staroup quanto da média Paulista e alguns de SP são: Miguel Stocco(Americana), José Roberto Stocco, Vander Stocco, José Luis Beazin(Jundiaí), Marcio Beccari(Indaiatuba), Dídimo Cocuzzi(SP), Valdir Rodrigues Pinhão(Padeiro), Marcos Luiz Feijó(Americana), Delmar Zacheo, Antonio Padua Santugliano, Marco Aurélio Ronchi, André Zanetti, Tércio de Andrade Filho, Rodiney Tassinari, Luis Corrales e como não poderia faltar João Evangelista. Abraço a todos.

    • Valeu, Eduardo! Deste nomes, conheci bem o J.R. Stocco, que vivia dando trabalho para Caloi + Pirelli, junto com seu colega de equipe Geraldo Ronchini. Os mais jovens são da minha geração, sem falar no amigo de mais de 30 anos João Evangelista, que venceu muito, da Infantil até a Senior B recentemente. Abs!

  4. Juca says:

    Ae Fernando, você não colocou o campineiro Renato Ruiz ae… campeão brasileiro elite em 2004 (em um durissimo circuito em Caieiras-SP) e sub-23 em 2003… e vencedor de outras importantes provas (Volta Internacional do ABC, etapas da Volta de SC e Paraná, Gran Fondo, Copa da República….) …já o Otávio Bulgarelli é mineiro.

    abs

    • Verdade, Juca, obrigado! É como eu disse, existe um “blank” no meu conhecimento do ciclismo verde-amarelo durante um bom período e eu preciso da ajuda de vocês. Agora, com a memória refrescada, lembro-me do nome do Renato vencendo grandes provas. Valeu!

      A mineirice do Bulgarelli é uma surpresa para mim. Por que foi parar no ciclismo de Campinas? Abs!

  5. Mónica Endemann Braga says:

    O Jair Braga realmente começou a competir no ciclismo no Estado do Paraná. Veio de Santa Catarina em 1976 e a partir de 1977/78 começou a correr aqui na região de Curitiba. Após ser o campeão estadual em 1979, foi contratado pela Caloi em 1980, graças a indicação de José Carlos de Lima e Gilson Alvaristo, amigos que levou no coração até o fim da vida.

  6. SERGINHO says:

    BOA NOITE de SANTA CATARINA temos tbm DANIEL ROGELIN que ta ai na ativa
    temos tbm só não sei onde ele nasceu ROBSON PACHECO que correu e ainda corre por SANTA BARBARÁ DO OESTE ,SP
    vixxi tem muita gente que andou e anda muito nesse BRASIL um abraço FERNADO parabéns pelo blog
    um abraço
    SERGINHO

  7. Pacífico Delai says:

    Fernando, complementando o comentário do Serginho, não tenho certeza mas acho que ele é do Rio G. do sul, se estiver errado que alguém me corrija forte abraço, Pacífico

  8. Pacífico Delai says:

    sim esqueci de falar o nome, estava falando do Robson Pacheco.

  9. Ben Delay says:

    Com o Pacheco eu tive um contato estreito quando ele corria na Pirelli, idos de 1989, pelo que me consta ele é gaucho sim de PAlegre.

  10. George Panara says:

    Fernando acho que há um pequeno erro na informação do Erivan Arcanjo de Lima – pois ele não é catarinense não!!! O Erivan acredito que seja úm dos poucos ciclistas do nordeste brasileiro que se destacou, pois ele é natural de Níssia Floresta no Rio Grande do Norte. E pelo que sei iniciou suas pedaladas por lá. Não conheço mais detalhes do seu ínicio de carreira . Um grande abraço e parabéns pelo excelente trabalho.

    • Muito obrigado pela informação e pelas palavras de apoio, George! Graças a rede que estamos montando podemos identificar as origens poucos conhecidas do nossos campeões.
      Abração!

  11. ALex says:

    Olá, Patrique Azevedo é carioca, de campos dos goytacases.
    Abraço

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