Conclusões da Paris-Nice e Tirreno-Adriático

Neste sábado temos todos um compromisso diante da televisão ou computador com banda (bem) larga: acompanhar os 290 km da Milano – San Remo. Escreverei sobre isto amanhã.

Nestas duas últimas semanas, porém, tivemos estas duas grandes (e curtas) corridas por Etapas. As duas têm brilho próprio, mas também são usadas como treinamento e são importante base de observação para todos os candidatos à vitória na Milano – San Remo.

Os ciclistas sentem suas pernas nas montanhas que enfrentam, sua aptidão para distâncias maiores e os sprinters afinam sua velocidade frente seus principais adversários.

Minhas conclusões da corrida italiana:

  1. A Rabobank está em forma e isto é muito importante para seus principal líder, o tricampeão Oscar Freire, que precisará de gente em forma para apoiá-lo nos últimos quilômetros.
  2. Tyler Farrar está em forma, muito rápido – ganhou com muita autoridade a 2ª etapa da Tirreno e foi 2º na 3ª, perdendo para o nosso hermano J.Haedo (este não está entre os meus favoritos para San Remo…a corrida é longa demais).
  3. Um favorito para a Milano – San Remo, o norueguês Edvald Boasson-Hagen, sprintou entre os Top 10. Ainda estava um pouco curto para La Primavera.
  4. Nas elevações, Phillipe Gilbert continua sendo o mais explosivo (e isto é ótimo na Milano – San Remo) e Damiano Cunego andou forte o tempo todo (mas ele não é corredor para Poggio + Via Roma).
  5. Os escaladores dominantes – Evans, Scarponi, Basso e Di Luca – estão pensando em outros desafios (para abril e maio…Basso em julho) e não na Milano – San Remo.
  6. Cancellara, que venceu o CRI, já adiantou que não focará na Milano – San Remo (acha difícil manter a forma até Flandres e Roubaix…e eu também…Merckx não achava).

Farrar: está muito rápido, mas precisará resistir 290 km + Poggio

PS: não sei é obvio para todo mundo, ou sequer útil, mas Tirreno e Adriático são os dois (sub) mares que cercam a Itália – os dois ficam “dentro” do grande Mediterrâneo.  Por isso a Tirreno – Adriático é chamada de A Corrida dos Dois Mares.

Minhas conclusões da corrida francesa:

  1. Eu achei o pelotão que correu na Itália mais forte do que o que correu na França.
  2. Os Top sprinters foram Henderson, Haussler, Sagan, De Gendt e Goss. Destes, só Haussler já foi testado para valer na Milano – San Remo e foi bem (2º em 2009). Este ano ganhou o Tour de Oman, mas não ganhou nada na Paris-Nice. Já Sagan, declarou que San Remo é um alvo da temporada: está forte, mas também não ganhou nada na Paris-Nice (deixou de ser “efeito surpresa” como em 2009). Goss é para mim – e para o Mario Cipollini também – o ciclista mais rápido deste ano…mas isto vem acontecendo  em provas bem mais curtas do que a Milano – San Remo. A ver…
  3. O oportunista francês Thomas Voeckler, com suas duas vitórias de etapas, mostrou estar em ótima forma e pode ser um “dark horse” neste sábado. Ele sobe bem um Poggio (eu conheço bem as estradas da etapa Nice-Nice que ele venceu e fuga…são duras…e perto de San Remo), se agüentar inteiro os 290 km e estiver em boa companhia, por que não?
  4. Os destaques nas montanhas, Kloden, Sanchez e Brajkovic, também estão pensando em abril, maio…e julho!
  5. Tony Martin, o vencedor, quer mostrar que é um Cancellara que sabe escalar, mas não me parece corredor para a dupla Poggio + Via Roma.

Henderson (Nova Zelândia) não deu chance ao favorito Haussler

Este post, portanto, deu uma visão geral do que aconteceu estes dias no pelotão profissional europeu. Amanhã fechamos o Grand Preview da Milano – San Remo, ou La Primavera, como é conhecida também.

Abraços! F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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One Response to Conclusões da Paris-Nice e Tirreno-Adriático

  1. alex ernesaks says:

    ia ser ótimo o Freire ganhar … de novo !

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