Ronde, post #2: o que andam falando nos Flandres

Amigos, o Ronde van Vlaanderen se aproxima, a guerra de palavras, o jogo de nervos…leiam o que os grandes nomes andam falando nas conferência de imprensa!

Cancellara:

“Vir aqui tão forte e tão favorito como eu estou nunca aconteceu antes. O mundo sabe que estou forte e o mundo sabe que estou pronto. Então por que eu deveria negar?

É fácil colocar a pressão toda em mim e eles fazem isso porque todos viram minha vitória na E3 Vlaanderen. Eu tomo isso como um elogio. Mas se eu estava 100% em E3, sábado passado, ou não, só eu a equipe sabemos isso.

Na mesma noite após E3 eu fui para casa na Suiça. Lá eu fiquei relaxando, treinando, fazendo massagem, curtindo a família. Eu só assisti os últimos Kms da Ghent-Wevelgen. Tom fez o que era melhor para ele e eu fiz o que era melhor para mim no sábado.”

Boonen:

“Obviamente existe um grande favorito e existe uns poucos de nós atrás dele. As coisas estão melhorando para mim. A forma está chegando, mas eu preferia que ela já estivesse aqui. Enfim, você só vê se está na forma ideal durante a corrida.

[Com relação ao adversário suiço] E se nós formos juntos para o sprint isto não será um problema, poque ele jamais me bateu num sprint. De qualquer forma, eu não estou mais com medo. Eu não estava no meu melhor em Wevelgen. Mesmo tendo vencido eu não estava bem. Foi uma boa surpresa. Foi uma boa vitória para a cabeça.

Eu não tive boas sensações, mas no treino de 4af [nota: ele treinou várias subidas da prova], eu tive as boas sensações que não sentia desde a minha queda no Tour de Suisse ano passado. Foi bom não ter ido para minha casa em Monaco e ficar treinando aqui nos Flandres.

Seria bom ter um dia tipicamente flamengo, chuva e vento. Eu não espero que haja uma união de adversários contra Cancellara. Isto nunca acontece numa Clássica. Cada um joga suas chances.”

Gilbert:

“Cancellara é um ciclista muito inteligente. Ele é capaz de deixar um pequeno grupo escapar e abrir como se não isso não importasse e deixar seus rivais se cansarem, para em seguida nos atacar, quando achar que estamos mortos.

É um verdadeiro jogo de poker com ele. Você precisa jogar com suas cartas próximas do peito e tentar ser mais esperto do que ele. Nós sabemos que se deixarmos para o final da corrida estaremos mortos [Nota: Gilbert quer dizer o Kappelmuur em Geraardsbergen]. Ele adoraria colocar 2 minutos em nós.

Nós sabemos que temos um grande desafio, que é não apenas vencer o Tour de Flandres mas também bater Cancellara. O vencedor deste domingo será comentado por mais tempo do que acontece normalmente, por ter batido um ciclista como ele. Eu imagino não ser o único que está encontrando extra motivação por conta deste desafio. Eu acredito que tudo é possível, apesar do que as pessoas possam acreditar.

É verdade que esta corrida não era a dos meus sonhos. De fato, estes é o primeiro ano que eu percebi que grande espetáculo acontece aqui. Estou em Deinze [Nota: cidade que tem no seu entorno todas os ‘bergs’ importantes da prova] nas últimas duas semanas e testemunhado esta incrível excitação crescer.

[Sobre ser um Wallong na terra dos Flandriens] Eu conheço a lista de vencedores do Ronde, mas não me envolvo nestas divisões que marcam a Bélgica. Eu jamais me manifestei sobre ser Wallon. Acima de tudo eu sou um ciclista belga.”

Pozzato

[Após ser esculhambado na imprensa pelo seu diretor Andrei Tchmil, que acho sua tática na Milano-San Remo, i.e. buscar Gilbert com Cancellara na sua roda e depois não ter perna para o sprint]

“Eu preciso da pressão para me motivar e obter resultados. Não este tipo de pressão. Ele sabe como sou dedicado para o ciclismo, mas foi isso que ele declarou na imprensa.

Ano passado eu estava muito bem, mas tive que desistir porque fiquei doente. Este ano as sensações não são as que eu gostaria. Não me sinto super bem. Este é um ‘shit moment’ [Nota: não traduzido de propósito] da minha carreira. Para sair dele eu preciso vencer. E eu irei arriscar até o fim.

Todo mundo está pensando em Boonen contra Cancellara, mas os verdadeiros favoritos são Cancellara e Gilbert. Eu vi Tom na Ghent-Wevelgen e nas duas subidas do Kemmel ele não era o homem que eu conheço, mesmo ele merecendo meu respeito.

Eu? Eu gostaria de estar sozinho no Muur e chegar destacado. Se eu puder sonhar…”

A Armada Garmin:

Farrar “Eu me sinto realmente bem. As últimas corridas foram bem… Tirreno, Waregem e Wevelgen… estão as pernas estão bem e eu tenho realmente boas sensações. Espero estar pronto. Nós temos várias cartas para jogar e devemos usar todas elas.”

Eu penso que Thor e Heinrich são, para este domingo, mais líderes do que eu. Eles são corredores que podem pular em qualquer fuga e seguir caras como Cancellara nas subidas. No meu caso é me segurar e se a corrida acabar num sprint ver o que posso fazer [Nota: foi 4o em 2010]. Mas eu acho que será uma corrida para eles dois.”

Hushvod – “Eu estou me sentindo bem. Nas últimas semanas a forma não estava mal, apesar dos resultados não acontecerem. As corridas são assim mesmo e nem sempre as coisas acontecem do jeito que esperamos. Mas eu acho que minha forma e minhas pernas estão boas e qualquer coisa pode acontecer domingo.

Eu escolhi meus objetivos no início da temporada e a Milano-San Remo era o primeiro deles, mas aquele foi um dia em que nada funcionou para a nossa equipe. Mas agora nós temos dois grandes objetivos e estou esperançoso que eu possa vencer um deles.”

Haussler – “Depois da Milano-San Remo eu sei onde me encontro [Nota: sobrou no Poggio e acabou a prova em lágrimas]. Eu cheguei no ponto, mas estou 2 ou 3% atrás da forma que tinha em 2009 [Nota: foi 2o em San Remo e no Ronde!]. Eu não estou reclamando, eu fiz todo o treinamento necessário e darei o meu melhor. Nós temos uma equipe forte e temos boas chances.”

Emoção total!

Abs, F.!

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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