Viva Il Giro d’Italia

Caros – após o festival de Clássicos da primavera européia, o calendário ciclístico entra na sua 2a fase da Temporada.

Entre maio e julho acontecerão os dois primeiros, maiores, mais antigos e mais prestigiosos Grand Tours: Giro e Tour. Durante este período, um grupo seleto de provas de prestígio – antigas, tradicionais – será corrido, com dois grupos de ciclistas buscando objetivos diversos:

  1. Teremos os super-favoritos para Giro e Tour ‘testando’ suas pernas. Se elas estiverem bem demais – e a concorrência fraca – é possível que vençam tais provas, mas o objetivo primário não é este.
  2. Teremos os “second-rate” (ciclistas fortes, mas sem chance real de vitoria no Giro ou Tour), que tentarão rechear seus ‘palmarés’ com conquistas de prestígio.

Desde os tempos em que os bichos falavam, o Giro é antecipado pelo suiço Tour de Romandie e suas belas escaladas. Existe alta correlação entre grandes atores deste Tour e os vencedores do Giro. Voltaremos ao tema mais tarde.

Já o Tour é precedido de três grandes provas por etapas, que são utilizadas pelos ciclistas para polimento final. Elas são o Tour de Suisse e as francesas  Route du Sud e Criterium du Dauphiné Libéré. Sobre estes falaremos mais pra frente, ao final do Giro.

Todo o resto é…simplesmente o resto. Desde semana passada até o final do Tour de France as provas acima listadas são as que contarão.

Observação: uma semana antes do Tour teremos, como sempre, os campeonatos nacionais e seus prestigiosos titulos e camisas representativas. Mas isto é prova de 1 dia, seja de Estrada ou de CRI, i.e. não conta muito para o prognóstico do Tour.

Viva Il Giro! – a partir de hoje estaremos cobrindo este mega event e, como de hábito, contando histórias, causos, tentando agregar aspectos geográficos e históricos. Espero que curtam!

Tour de Romandie – acabou neste domingo uma das mais belas provas do calendário ciclístico profissional e que, na minha opinião, é tão pouco conhecido por aqui. Disputado desde 1947, a sua lista de vencedores é invejável: a grande dupla suiça Koblet (2x) e Kubler; o campioníssimo  Bartali e seus herdeiros dos anos 60 Adorni (2x), Motta (2x) e Gimondi; os inevitáveis Mercks e Hinault; grandes campeões como Thevenet, Zoetemelk, Roche e Rominger.

Foto: Anos 50, Grandes Suiços…Ferdi Kubler (Tour, Mundial, múltiplos Monumentos) e Hugo Koblet (Tour, Giro)

Também destaco vencedores com a classe de Tonkov, Jalabert, Savoldelli e Olano. Mas lamento que ‘boludos’ como Dufaux, Frigo, Botero, Hamilton e Dekker também tenham seus controversos nomes na lista de campeões.

2011 – o australiano Cadel Evans venceu a prova pela segunda vez (a primeira foi em 2006), tendo batido dois bons nomes: a esperança teutônica (que tem nome britânico…) Tony Martin, da HTC Highroad, e o eterno Vinokourov, da sua Astana. Como de hábito, os melhores escaladores chegam embolados no CRI final e alí se define o vencedor – e só olhar a lista de vencedores e fica claro que escaladores puros dificilmente vencem o Tour de Romandie, mas sim ciclistas completos.

Onde fica – a Suiça é um país complicado para se entender. Famoso pelos chocolates de outro planeta e de relógios cuja precisão só se comparam com os preços, este é um país diferente dado que é uma confederação de 26 estados-cantões (esse é o nome).

O país tem 4 regiões linguísticas: a francesa (onde ficam as famosas Genebra, Lausane e Montreux, sendo esta última sede do famoso festival musical); a alemã (que é a maior e onde ficam as cidades de Zurique e Lucerna); a italiana (onde ficam Lugano e Locarno) e menos famosa de todas, a Romanche.

Pois bem, o Tour de Romandie é disputado exclusivamente em território da Suiça francesa, sendo um mini-Tour de France em solo suiço. Aqui eu forcei a barra, pois os suiços tem um orgulho do seu país-confederação sem igual, apesar do seu minúsculo territorio. Os ‘suiços-franceses’ se ofendem profundamente se são confundidos com franceses. Uma vez, participei de um treinamento com um sujeito chamado Giuseppe Tavallera. Ele era mais falante do que os holandeses e alemães presentes e eu o tinha como italiano. Mas ele suiço de Locarno e fico bravo quando eu disse que achava que italianos e suiços do Ticino (nome daquela região) eram parecidos. Parecidos uma óva, disse-me ele.

Faz tempo que a Suiça não nos dá um grande campeão. Para mim, o último foi Tony Rominger (que na verdade nasceu na Dinamarca), que venceu o Giro 1995 e três Vueltas, além de um segundo lugar no Tour de 1993 (mais o título de Rei da Montanha), perdendo para um inatingível Miguel Indurain.

PS: vamos combinar que Cancellara é suiço, mas não é corredor favorito para Grand Tour, ok?! Este debate ocorreu ano passado e eu nunca apostei um centavo nesta história.

E o Giro? – curiosamente, os principais colocados neste Tour de Romandie não participarão do Giro deste ano….só para destruir a minha argumentação acima e o destaque deste post. Enfim…

A destacar Denis Menchov, da GEOX, que ficou num modesto 14o lugar. Para a GEOX – que ficou fora da lista do Tour de France – e para Menchov o Giro é a grande chance de honrar o investimento feito na equipe. Espero que ele ‘afine’ a sua forma no transcorrer da prova.

Amanhã tem mais! Ciao,

Fernando

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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5 Responses to Viva Il Giro d’Italia

  1. Gustavo says:

    Prezados, não consegui responder pelo “post” anterior, então vai nesse. O programa Ciclovida, divulgado pela TV Supren (uma TV alternativa, que veicula os programs sem nem um anúncio sequer), são editados, e a entrevista com o Romolo Lazaretti ainda não foi ao ar. Pedi uma cópia do programa, para eu possa disponibilizá-la em algum “Rapidshare” da vida, e vocês possam ter acesso. Abraço, do Gustavo

  2. Tiago Cardoso says:

    Bom post! e Venha o GIRO!

  3. Juca says:

    Upa lá Gustavo e depois passa o link!

  4. Eduardo says:

    “Moby Dick/Bonzo’s Montreux”
    Demorei a lembrar!
    \o/

    • Montreux é onde acontece o supremo Jazz Festival e onde a minha adorada banda Deep Purple gravou o lendário álbum Machine Head, que contém as igualmente lendárias Smoke on the Water e Highway Star…Abs!

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