Rivalidades Titânicas no Giro – Parte III: Gimondi…Adorni e Motta

Mais um capítulo da saga pré-Giro 2011, que destaca campeões e rivalidades do Giro. Os anos 60 foram gloriosos para o ciclismo transalpino (como a Itália é comumente chamada pelos franceses), dada a produção de grandes campeões.

A diferença de outras décadas é que havia um campionissimo e alguns ‘vice-reis’ para desafiá-lo. O campeão tinha nome: Felice Gimondi, il bergamasco. Seus herdeiros: Giani Motta e Vitorio Adorni.

Felice foi um grande e versátil campeão – a lista de vitórias abaixo não me deixa mentir.

Seguramente, Gimondi teria vencido o dobro de corridas se não fosse a chegada dominadora de Eddy Merckx.

Jovens, rivais e bons amigos

 

Sessetões, ainda competindo por suas marcas, sempre bons amigos

 

Mas o assunto desta série de posts é falar de italianos:

1. Vitorio Adorni: um pouco mais velho do que Gimondi e Motta, Adorni sempre foi mais do que um mero ciclista campeão. Foi um líder de sua classe, circulou muito bem pela política esportiva e nacional. Apesar de suas grandes vitórias terem sido o Giro d’Italia em 1964 e o Campeonato  Mundial de Estrada de 1968, Don Vitorio também venceu 3x o Tour de Romandie, 1 Tour de Suisse e 1 Volta da Bélgica (ou Tour de Belgique ou Ronde van Belgie, ou…).

Adorni também ocupou cargos de destaque em grandes equipes (DT da equipe Bianchi, que tinha Gimondi como líder), na Federação Italiana de Ciclismo e na própria UCI. E foi pela UCI que Vitorio Adorni veio ao Brasil nos anos 90, tendo inclusive visitado a minha Cidade de Santos, para conhecer o ciclismo local. Eu fui convidado para acompanhá-lo na visita, porque era um dos poucos que dominava o inglês e conhecia a sua carreira de ciclista. Grande honra. Simpatia sem igual!

Está bom? Não! Adorni ainda foi agraciado com o título honorífico (e muito chic por lá) de Comendatore Ordine al Merito della Repubblica Italiana! Dá para imaginar um ciclista brasileiro ganhando qualquer prêmio ou título honorífico aqui no Brasil? Dream on

Campione del Mondo 68 em Imola...do ladinho de casa

 

2. Giani Motta: passando a professional para valer mesmo em 1964, o galã Motta fez um supreendente 5o lugar no seu primeiro Giro d’Italia, ficando a a apenas 4 minutos do maior ciclista daqueles dias: Jacques Anquetil. Em 65 partiu para o Tour de France onde fez uma bela figura: foi 3o colocado, atrás do “Eterno Segundo”, o francês Raymond Poulidor, e do grande e surpreendente vencedor…seu compatriota Felice Gimondi!

Popularíssimo, Motta encarou seus adversários mais famosos (Adorni e Gimondi) com autoridade no Giro 66…e venceu, para delírio de milhões de italianos. A Gazzeta Dello Sport mandou a seguinte machete:

“A Motta il Giro piu grande i difficile”

(ou “A Motta o Giro maior e mais difícil”).

Giani Motta: levemente popular no Giro 66…

 Sempre correndo por equipes de ponta, como Salvarani (ex-equipe de Gimondi) e Molteni (futura equipe de Merckx), Motta venceu menos do que se esperava. Ainda assim, e graças a sua velocidade, construiu um belo ‘palmarés’: 1 Giro (+ 5 etapas, + Maglia Ciclamino de Melhor Sprinter), 1 Tour de Suisse, 1 Tour de Romandie, 1 Giro di Lombardia.

Escalador que sabia sprintar!

Outros grandes ciclistas da Itália surgiram e brilharam neste período, no rastro das grandes obras ciclísticas de Coppi e Bartali. Nomes como Michelle Dancelli, Italo Zillioli, Franco Bitossi e Marino Basso, deram muitas alegrias para os fanáticos tifosi italianos

Mas campionissimo mesmo foi Gimondi…e os desafiadores foram Adorni e Motta.

Amanhã tem mais! Abs, F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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