Analisando o Giro 2011

Buongiorno,

Para começar, este Giro foi ‘esculpido’ para escaladores. Serão 7 chegadas no alto de montanhas. Aliás, será tão duro que nem aposto em grandes batalhas entre os líderes em todas elas.

Aposto que os favoritos escolherão algumas montanhas especiais, 3 ou 4 no máximo, para medirem forças. Nas outras chegarão juntinhos com alguns gregários embalando-os até o final e só. Sorte dos fugitivos matinais, que colocarão seus nomes no panteão dos vencedores de etapas de montanha de um Grand Tour.

Quem-é-quem neste Giro

1. Favoritos: a presença de Alberto Contador muda o cenário de qualquer Grand Tour. Especialmente porque, neste caso, ele não vem para treinar, mas para ganhar. Ordens da equipe. O fato é que – apesar dele negar – é grande o risco d’El Pistolero ser barrado no Tour de France e o ‘capo’ Bjarne Riis quer garantir algum retorno para o tremendo investimento que fez no espanhol.

Chama a minha atenção também o fato de Contador (e Riis) ter convocada o seu cão-de-guarda nas montanhas Daniel Navarro. Além de outros ciclistas jovens e fortes, como Richie Porter. Vieram para ganhar!

Um segundo Giro para El Pistolero?

Com Don Alberto motivado, os italianos Vincenzo Nibali (Liquigas) e Michelle Scarponi (Lampre-ISD) tem tudo para brigar pelo segundo lugar, mas me parecem muito motivados, em forma e com equipes fortes à sua disposição.

Aproveito para declarar que eu torcerei para o Nibali. Desde sempre, raramente torci para italianos – Gilberto Simoni e Marco Pantani foram as grandes exceções -, mas o bom siciliano me encanta. A raça demonstrada na Vuelta 2010, especialmente na etapa da Bola del Mondo (quando resistiu a um Ezequiel Mosquera ‘aditivado’) foi excepcional e conquistou o meu respeito. Também me impressionou o 3o lugar no Giro 2010, após trabalhar como um jumento para seu companheiro Ivan Basso, que venceu a prova.

Detalhe: o nosso amigo Juca me lembrou que um ciclista do Sul da Itália nunca venceu o Giro. Seria muito legal isto acontecer.

Nibali na Vuelta 2010: lutador nato

O que fizeram este ano até agora:

  1. Contador: 1o Vuelta a Murcia, 1o Vuelta a Catalunya
  2. Nibali: 8o Liège-Bastogne-Liège, 8o Milano-San Remo, 5o Tirreno-Adriatico
  3. Scarponi: 1o Giro del Trentino, 2o Vuelta a Catalunya, 3o Tirreno-Adriatico, 6o Milano-San Remo

Os caras estão muito fortes! Este Giro promete!

Logo abaixo vem… – Igor Anton (da Euskaltel) se vier para ganhar é nome forte – apenas temo que venha ao Giro para fazer quilometragem para o Tour. Outro nome de alto calibre é o badalado Denis Menchov, mas este só vendo para crer. A GEOX investiu pesado nele e no Carlos Sastre (que não larga como líder, mas como gregário) e eu espero que o russo tenha se preparado bem e não decepcione na prova.

Salvo as tradicionais surpresas de sempre, estes são os meus Top 5 deste Giro. A ver.

Sprinters – apesar do perfil da prova ser para montanheiros, várias equipes mandaram times liderados por sprinters e sem qualquer pretensão para a Classificação Geral. Exemplos: HTC-Highroad (com Cavendish e Renshaw  vieram com a força máxima), Quick Step (com Francesco Chicchi), Rabobank (com Graeme Brown) e a Garmin-Cervelo (com Tyler Farrar e o nosso Murilo Fischer, que é o homem-chave para os 800-500 metros da linha de chegada).

Sem falar nos veteranos, que ainda prometem boas emoções, Alessandro Petacchi (da Lampre-ISD) e Robbie McEwen (Radio Shack).

'Peta' e Robbie..."quando éramos jovens..."

Amanhã– os ciclistas saem de Alba e sprintarão em Parma (cidade do presunto maravilhoso e do queijo idem). Tudo plano e chegada em pelotão garantida. Detalhe: serão 244 km de distância, fato raro em Grand Tours estes dias…era muito comum antigamente.

Parma: pedala-se forte, come-se bem demais...

Ciao, Fernando

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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11 Responses to Analisando o Giro 2011

  1. José Carlos SBC/SP says:

    Fernando,
    Você acha que algum velocista mencionado acima chegará ao ultimo dia da competição, analisando as montanhas da ultima semana??

    • Pois é, JC, tarefa dura, mas os caras vão subindo devagar, naquele pelotão conhecido como “autobus” ou “grupeto”…e se chegarem muitos fora do tempo máximo a Organização dá uma aliviada e ninguém é eliminado. O fato de não estar aquele calor horroroso do Tour também ajuda (desde que não esteja aquele frio igualmente horroroso que a cada 10 anos pinta no Giro). Enfim, que estiver em forma, chega. Quem estiver meia-boca, não aguenta. Essa é a regra.

  2. alex ernesaks says:

    nunca nenhum ciclista do ‘sul’ da itália ganhou?
    o sul da itália ‘acaba’ em roma kkkk
    de lá pra baixo, segundo a liga lombarda , é outro continente kkkkkkkk

  3. Juca says:

    Eu também torço pro insular ou “golden boy” italiano ganhar (em menos escala do que aontece na Bélgica, os italianos de cima não gostam tanto dos insulares)…… O Giro para os italianos é assim por região:
    27 para Lombardia,
    18 Piemonte,
    8 Toscana,
    5 Emilia-Romagna,
    3 Trentino-Alto adige (detalhe Moser e Simoni são da mesma “populosa” cidadezinha, esta que é quase do tamanho da torcida de um time do litoral)…
    2 Veneto (Bataglin e Cunego)
    1 Abruzzo (Di Lucca) ,

    Dois casos interessantes de italianos que não nasceram na Italia, mas ganharam o Giro…
    1924 -Giuseppe Enrici nascido em Pitrsburgh nos EUA…
    1990 – Gianni Bugno nacido em Brugg na Suiça, poderia ser Gianni “Bruggno”…

  4. Juca says:

    ops..,faltou a menção honrosa para o termo famosissimo do “Pedala forte, mangia bene!” citado ae pro presunto de Parma!
    Ow Alex, agora é a Lega Norde (Liga do Norte) que tem umas idéias racistas em relação ao Sul inspiradas na antiga Liga Lombarda… eles dizem assim que Garibaldi não unificou a Itália, na verdade ele separaou a África (falavam que o Sul era parte da Africa..)…infelizmente aqui nois também vemos isso em relção os nordestinos…
    Seria muito bom Nibali ganhar!

    Abs

  5. andre says:

    Acho que eu sou o único que torce pro Sastre, sempre torço pro mais fraco; e sou um tremendo de um pé frio. Mas o seu comentário sobre a Saxo é real, a equipe veio com os seus melhores gregários pra montanha e muito fiéis ao MAGRELO Creio que o principal adversario do Contador realmente será o Nibali, e se for para o Sastre não ganhar, esse seria o meu prferido, pela garra e merecimento, pois no ano passado ele trabalhou muito para o Basso, sendo que em alguns momentos ele até poderia dar uma de Cunego KKK… Desde já seu blog é xou PARABENS

  6. Somulo N Mafra says:

    Fico na torcida pelo Nibali, mas acho bem difícil conterem a dupla Contador/Navarro. Ainda está forte na minha memória o sofrimento coletivo causado por um Navarro endiabrado na oitava etapa do Tour do ano passado.

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