Fim do Dauphinè…quem-é-quem no Tour de France – Parte I

Amigos – espero que tenham assistido estas duas últimas etapas de montanha do Dauphiné, porque elas foram muito legais e deram uma boa visão de como será o Tour de France.

Visão Geral – pelo que vi no Giro e no Dauphiné – falta analisar o Tour de Suisse – o rítmo (o passo) que gregários impõe nas subidas está forte demais para a classe da maioria dos atuais líderes do pelotão. Quero dizer que poucos ciclistas de ponta, hoje em dia, consequem atacar o grupo de líderes e sustentar este ataque.

Com isso, a tendência é que este grupo siga compacto até o final da etapa, com ataques nas últimas rampas que possam fazer a diferença. Isto faz com que as diferenças de tempo entre eles seja pequena. Portanto, os CRIs e eventuais dias ruins é que irão separar os principais corredores – salvo as exceções, naturalmente.

Candidatos: um por um (faltando o Tour de Suisse):

Alberto Contador: a demonstração de superioridade no Giro foi marcante. Ele está rolando forte, escalando forte (puxando, arrancando e sprintando), está forte mentalmente e está de bem com a vida. Só não ganhará o Tour se tiver uma surpreendente e improvável falha no treinamento, tombo ou ficar doente.

Joaquim Rodriguez: o catalão da Katusha parece seguir os conselhos do mesmo guru de Philippe Gilbert, pois mantém alta forma há meses. Rodriguez começou vencendo no dia 6 de abril (1a etapa do Vuelta a Pais Basco), andou fortíssimo no Giro d’Italia (5o na Geral, com vários pódiuns em etapas de alta montanha) e acaba de vencer sua segunda etapa do Dauphiné. O ex-campeão espanhol parece ser, até o mometo, o único ciclista de ponta capaz de atacar forte na montanha e resistir o retorno dos adversários mais fortes, mas…é muito fraco no contra-relógio.

Ele perdeu a Classificação Geral no País Basco na última etapa CRI, ao tomar 2m08 do vencedor (e especialista) Tony Martin, mas levou entre 1m e 1m30 dos seus rivais diretos – e eram apenas 24 km de CRI!!! No Giro foi parecido: no CRI final em Milão, de apenas 26 km, ele cedou 1m38 para o rival direto Contador. E manteve a (má) performance aqui no Dauphiné: tomou 3m54 de Martin (o vice-rei do Prólogos) e 2 minutos de Cadel, que é rival direto dele.

De qualquer forma, o catalão é meu candidato ao pódium, pois espero que compense nas duras montanhas do Tour esta fragilidade no CRI. Mas será que sustentará esta forma toda até lá?

Duas Etapas + Classificação por Pontos: muy bien, Purito!!

Bradley Wiggins – o fortíssimo contra-relogista inglês venceu o Dauphiné e é, por definição, candidato ao pódium do Tour. No entanto, eu não gostei muito das suas escaladas. Hoje, por exemplo, na ‘etapa rainha’ com chegada em La Toussiere (que já foi etapa do Tour, inclusive), ele chegou sofrendo e quase sobrou nas rampas mais duras dos últimos 3 quilometros. Tenho dúvidas se irá aguentar a pedreira de montanhas mais duras de julho.

Cadel Evans, Robert Gesink e Jurgen van den Broeck – estes três andaram juntos no Dauphiné e são candidatos fortes ao Top 3 ou 5. Sou mais Van den Broeck na alta montanha – o espírito atacante de Gilbert, seu colega de Omega Pharma-Lotto parece tê-lo contaminado positivamente, pois hoje mandou ver….mas lhe falta explosão para largar os rodeiros. Cadel é regular, i.e. está sempre presente, na montanha e no CRI, mas é tão sem graça….não empolga e vive beliscando pódiuns aqui e e ali (foi 2o da Geral neste Dauphiné, como já foi 2 vezes no Tour). E Gesink, a eterna esperança holandesa, parece estar atingindo a maturidade e fez um Dauphiné sólido, sendo 2o e 3o nas duas etapas duras (sábado e domingo).

Vinokourov – o veterano andou muito forte neste Dauphiné e chegou em 3o na Classificação Geral, tendo resistindo aos ataques nas altas montanhas. Diferentemente dos seus dias de glória, o Cazaque quase não ataca mais…finalmente!…mas por outro lado aguenta-se bem na roda dos mais jovens porque se poupa mais – se usasse mais a cabeça anos atrás teria vencido muito…

Enfim, acho que o desgaste imposto por 3 semanas de Tour mais a sua tendência de sempre ter um jour sans, o impedirão de fazer um pódium em julho, mas top 10 parece-me certo. De qualquer forma, eu torço para que este competente operário do pedal tenha um bom Tour de despedida.

Pódium bacana no Dauphiné, mas improvável no Tour

Frustrações

O Ivan Basso já havia ficado desapontado com sua temporada na primavera (ele dizia no início do ano que correria para vencer na Ardenes) e mas não sabia explicar onde sua forma foi parar. Depois caiu feio treinando e foi uma catástrofe neste Dauphiné – destaque negativo para o CRI, quando levou 6 minutos. Deve largar no Tour para vencer uma etapa, depois de um ataque matinal, quando já estiver a 20 minutos dos líderes da Classificação Geral.

E deve haver algo de muito errado com o asturiano que corre com os bascos da Euskatel, o Samuel Sanchez. Ele começou bem o ano com um 1o lugar no GP Miguel Indurain e um 3o na Flèche Wallone, e era favoritíssimo neste Dauphiné. Resultados? Ficou em 17o lugar na Geral a quase 13 minutos de Wiggins e tomou 6 minutos e meio na alta montanha de hoje. Acho que só um milagre o fará retomar tanto terreno perdido até julho.

Vive la France – os franceses tiveram uma boa performance neste Dauphiné, com Christophe Kern (Team Europcar) e Jean-Christophe Peraud (AG2R La Mondiale) ficando em 6o e 7o lugares respectivamente. Mais que isso, resistiram bem nas etapas de alta  montanha. Decepção mesmo foi a grande revelação francesa, o Jérôme Coppel, que até garantiu a vaga da sua modesta equipe Sojasur no Tour. O seu 13o lugar neste Dauphiné e o fato de ter ficado para trás quando ainda faltavam 9 quilometros de montanha na etapa de hoje, mostram que a forma do savoiard de 25 anos ainda está curta.

E agora? Temos que esperar o que Tour de Suisse nos revelará. Na primeira etapa de montanha – com chegada na tradicional estação de ski de Crans-Montana -, venceu o colombiano Mauricio Soler (Movistar), dando mostras que é de novo um ciclista de ponta. Fecharam o pódium os grandes-ciclistas-que-desistiram-de-vencer-Grand-Tours Frank Schleck e Damiano Cunego.

Preocupa mesmo é a condição do único homem com potencial de incomodar Contador no Tour de France: Andy Schleck ficou em 16o lugar hoje, a 1m39 do vencedor. Fraco, muito fraco.

Abs, F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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9 Responses to Fim do Dauphinè…quem-é-quem no Tour de France – Parte I

  1. Rogério Yokoyama-Palmas/TO says:

    É…..o Basso já não parece mais ser o mesmo de antes.

  2. Juca says:

    Eu sei lá quanto a esse inglês, belga ou flamengo, o cara é nascido em Ghent nas Flandres ou Bélgica ….acho que ele não vai fazer mais que um pódio e olha lá…

  3. xampa says:

    Valeu !!! Vamos ver o que vai dar. E o time de Leopardos? Não vai ajudar os irmãos?

  4. Sômulo N Mafra says:

    Gostei da leitura que vc fez dos principais contender’s do Tour esse ano, Fernando. Gostei mais ainda da expressão “Un Jour Sans”. Não conhecia a expressão, mas após ler este post aqui (http://wvcycling.wordpress.com/2010/04/29/un-jour-sans) , vi que já conhecia os seus efeitos há tempos! ahahahaha

    Um abraço,
    Sômulo N Mafra

  5. Sômulo N Mafra says:

    Sobre os grandes ciclistas que desistiram de vencer grand tours, pelo menos o Cunego já levou um Giro. O Frank nem passou perto ainda. Torço por ele.

  6. Damiano Cunego é lider já! Andy toda a gente sabe como é anda sempre mal chega ao Tour e anda bem não sei qual o espanto

  7. José Carlos SBC/SP says:

    O Andy ta escondendo o jogo tão bem que corre o risco de não encontra-lo no Tour.
    To botando fé no Putiro e no Jurgen van den Broeck que vem escalando bem. Apostava no Cadel, mas parece que ele sofreu muito na ultima prova, ficou claro que o Wiggins não aguentaria um ataque, e ele que era 2º nem tentou, ou faltou perna mesmo ou ta escondendo alguma surpresa.
    O Cunego parece estar encontrando sua melhor forma.
    O Tour pode ficar mais emocionante se o Giro mandar a conta pro Contador, caso contrario, será outro show.
    Belo texto Fernando, aguardamos agora seu diagnóstico pós Tour da Suissa.
    abraço.

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