Vive Le Tour 2011: Contra-relógio por Equipes

Bonsoir!

Primeira etapa: pena que eu não consegui me inscrever a tempo no Fantasy Game da VO2, do amigo Leandro Bittar. O meu herói Phillipe Gilbert – o verdadeiro Cannibal de 2011 – venceu com uma classe e superioridade sem iguais e no post de ontem eu o cravei como favorito.

O Wallon marcou bem os atacantes do último quilometro (Vinokourov, Voeckler e Cancellara), administrou a distância e saltou sobre o suiço não dando-lhe chance alguma. E como a sua Omega Pharma-Lotto trabalhou bonito na caça aos fugitivos matinais – um deles havia caído e, mesmo bastante ralado, puxou muito nos últimos 60 quilometros!

Voando para a sua primeira vitória num Tour de France + primeiro Maillot Jaune...e tudo isso vestido de Campeão Belga

Durante as entrevistas do dia, Gilbert não negou nem confirmou que lutará pela Camisa Verde (Maillot Vert). Ele citou o seu Diretor Esportivo Marc Sergeant (*): “Marc me contou que McEwen começava o Tour visando vencer o maior número possível de etapas e só ia se preocupar com os sprints intermediários a pártir da metade do Tour.”

(*) O simpático flamengo Sergeant foi um bom e regular profissional nos anos 80 e 90, que chegou nada menos que 13 vezes no “Top 10” do Ronde e em Roubaix, além de outras vezes no Amstel, em Liège, etc. Vitória de prestigio, porém, foi apenas a de Campeão Belga uma vez.

Perguntando se era imbatível nos sprints em subida, Gilbert não conseguiu ser modesto (e ele é muito modesto!): “Acho que apenas Peter Sagan tem a necessária explosão para me bater atualmente, mas como a Liquigas ainda o acha muito jovem para o Tour ficou mais fácil para mim”. E eu ontem escrevi apontando o Sagan como favorito para esta etapa do Tour… “Desculpe a nossa falha”.

Outros destaques:

  1. Que tombo idiota que criou aquele ‘racha’ no pelotão. Acho que foi um ciclista da Astana que raspou numa espectadora na beira da estrada e foi espirrado para o meio do bloco. A moça e o ciclista estavam no limite da segurança e a Lei de Murphy entrou em ação…
  2. Contador está longe de ter perdido a sua 4a vitória no Tour. Ele está muito superior aos seus concorrentes, mas esta 1a etapa – graças ao tombaço coletivo – nos antecipa que as estratégias nas montanhas serão diferentes dos últimos anos: Contador atacará e Schleck o marcará!
  3. Cadel Evans mandou bem! Mostrou estar com potencia. Resta saber se não terá um tradicional jour sans nas montanhas.
  4. Jens Voigt, aos 40 anos de idade, voltando para o carro da Leopard-Trek para buscar 8 caramanholas. Ele parecia um deformado, com elas espalhadas pelos bolsos, costas e peito. E estes 8 kilos de peso extra não o incomodaram: o coroa alemão entrou pelotão a dentro, até a ponta, distribuindo bebidas para os colegas. Chapeau!
  5. Ainda no campo da Leopard-Trek, mais uma vez Cancellara tentou…e perdeu! Que ano…

Domingo, 2a Etapa, Contra-relógio por Equipes (“CRE”)

Os 23 quilometros ao redor Les Essarts serão planos e ultra-disputados – as melhores os percorrerão a 55-58 km/h e ficarão separadas por segundos, penso eu. Como cada analista cita 4 ou 5 equipes como favoritas eu vou apontar a minha: Leopard-Trek, só por causa do Fabian Cancellara, o que ajudará a incógnita Schleck. Mas acho que a Saxo Bank-Sungard andará muito forte também. Fato é que por causa do distanciamento do Contador na 1a etapa, este curto CRE será muito interessante.

TI Raleigh – Os “canibais” do Contra-relógio por Equipes

Nas décadas de 70 e 80 os contre la montre par equipes (CRE em francês) eram longos, de 70 ou 80 quilometros, e as equipes fortes daqueles tempos metiam de 8 a 10 minutos nas mais fracas…quase sempre as espaholas. Os escaladores puros da Espanha chegavam na primeira etapa de montanha já devendo 10 a 15 minutos para os craques da época, porque também tomavam vários minutos no primeiro longo contra-relógio individual.

Mas quando o cronometro era acionado para as equipes havia uma que se destacava e era referência: a TI Raleigh da Holanda. Que máquina! Dirigida pelo ex-campeão da Paris-Roubaix Peter Post e composta quase que exclusivamente por ciclista holandeses, eles dominaram os CRE do Tour naquela época.

Curiosamente, a TI Raleigh – que venceu dezenas de etapas do Tour – principalmente com Raas e Knetmann -, raras vezes teve um ciclista com chances reais de vitória na Classificação Geral. Só venceram em 1980 com Zoetemelk, graças ao abandono de Hinault, vítima de tendinite, e um pódium com o ruivo Peter Winnen.

Abaixo a impressionante lista de vitórias do holandeses voadores da TI Raleigh nos CREs do Tour de France:

  • 1976: 1
  • 1978: 1
  • 1979: 2
  • 1980: 2
  • 1981: 2
  • 1982: 1

Que tal 9 vitórias? Eram absurdamente superiores e colocavam nomes como Thévenet, Hinault, Fignon e outros sob constante pressão, porque eles arrasavam nos contra-relógios.

'Cavalos de raça' em ação: na ponta Knetmann (dir.) e Vandevelde (esq.), e Raas ao fundo

Agora a cores:

Agora com Henk Lubberding na ponta com Raas na roda

Au revoir, Fernando

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
This entry was posted in Uncategorized. Bookmark the permalink.

4 Responses to Vive Le Tour 2011: Contra-relógio por Equipes

  1. Sômulo N Mafra says:

    Grande Fernando!

    Hoje tive a felicidade de realizar um sonho, assistir a uma etapa do Tour de France. E tive sorte, foi logo uma das modalidades mais interessantes do Ciclismo, o CRE.

    No final do dia, voltando de carro para a Estação de Trem da cidade mais próxima, passamos na estrada por um ciclista solitário vestindo a camisa de campeão da Bélgica ostentando um numeral 32.

    A princípio, a minha noiva não acreditou quando eu cogitei, mas logo depois ela se rendeu aos fatos. Por incrível que pareça, o Ciclista solitário era ninguém mais ninguém menos que Philippe Gilbert!.

    Eu baixei o vidro (estava no carona) e gritei: “Philippe Gilbert!”

    Ele nos acenou de volta.

    Abraço,
    Sômulo N Mafra

  2. Sômulo N Mafra says:

    Grande, Fernando! Infelizmente assistimos apenas à esta etapa (CRE) no nosso penúltimo dia de viagem. Foi uma viagem de 18 dias pela França onde “negociei” com a patroa três dias dedicados ao Ciclismo.

    Além de assistirmos à esta etapa do Tour, eu subi L’Alpe D’Huez (2x) e le Mont Ventoux. Foram três dias bastante emocionantes, sem dúvida.

    Você foi até citado nominalmente no dia do Mont Ventoux! Fui pedir informações sobre como chegar no início da subida a um grupo de ciclistas belgas. Eles ficaram surpresos ao saber que eu era do Brasil (definitivamente não temos tradição no Ciclismo, rsss…) e adoraram saber que no Brasil havia muitos fãs do Ciclismo Belga! Contei sobre o seu Blog, as suas histórias, sobre o fato de eu ter um papagaio chamado Eddy Merckx (rsss…) e tb sobre minha vontade de visitar a Bélgica para pedalar e assistir às clássicas de primavera e (claro) degustar umas cervejas lá, hehe…

    Grande abraço,
    Sômulo N Mafra

  3. Sômulo N Mafra says:

    Alguns detalhes que me passaram pela cabeça agora sobre este dia:

    – a magia da maillot jaune: Antes da largada foi enorme o assédio sobre o Gilbert. Dezenas de fotógrafos, câmeras, fãs… todo mundo queria tirar alguma foto, obter alguma palavra do líder. O narrador berrava aos quatro ventos as belas vitórias do Gilbert na temporada. Isso foi um enorme contraste com o mesmo Gilbert pedalando sozinho, sem equipe, sem assédio, como um “ciclista ordinário”, na estrada de volta pro hotel após a prova.

    – Vendée, região onde se deu o CRE é o quartel-general da Equipe francesa Europcar. Além disso, o Thomas Voeckler, líder da equipe, tem residência fixa por lá. Isso se refletiu no carinho da torcida francesa que estava eufórica torcendo por eles, foi de longe a mais badalada.

    – Contador definitivamente não está com o prestígio em alta com os franceses, pelo menos com os daquela região. Acho que o caso do Clembuterol tirou um pouco da simpatia dos franceses por ele. Em relação ao caso da corrente caída do Schleck, eu ouvi comentários divididos, com muitos atribuindo a culpa ao próprio Andy Schleck por falta de perícia ao passar a marcha.

    – Clima totalmente família entre os torcedores. Muitas crianças (inclusive crianças de colo) uniformizadas, pessoas idosas que passaram horas sentadas debaixo de um sol escaldante para assistir à prova.

    – Muita gente viajando de trailler para acompanhar o Tour. No final da prova, houve um enorme congestionamento de trailler’s, nunca tinha visto tantos!

    – Reservas de hotéis esgotadas inclusive nas cidades ao redor! Um evento como o Tour envolve milhares de pessoas entre atletas, funcionários de equipes, organizadores e, claro, torcedores. Levando-se em conta que “Les Essarts” possui uma população de 5.000 habitantes dá pra ter uma ideia do impacto que foi ter uma etapa do Tour de France por lá.

    – Foi uma dificuldade chegar em “Les Essarts”. Estava hospedado em Nantes e cometi o erro de não ter alugado um carro na véspera. Fui de trem até a estação mais próxima (La Roche Sur Yon, 20 km`s distante) onde haveria transporte garantido (segundo o funcionário da gare) para Les Essarts justamente por conta do Tour. Não havia nada. Nem ônibus, nem van, nada. Tivemos de pagar um taxi pra lá! Cruel…

    Abraços,
    Sômulo N Mafra

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s