Um certo Pedro Delgado fala sobre um certo Miguel Indurain

Buenos dias, amigos! Calma, eu não esqueci do post das “equipes K“, mas como ele demanda muita pesquisa e este assunto legal me caiu no colo eu resolvi passá-lo na frente. Mas as “K” vêm aí!

Na Europa existe a tradição de se batizar os Gran Fondos (corrida de verdade aberta para qualquer participante, assim como as maratonas) com nomes de grandes campeões. E neste último domingo aconteceu a 18ª MARCHA CICLOTURISTA PEDRO DELGADO, cujo tema (sim, há o tema do ano também…que diferença, não?!) foi o 20o aniversário da primeira vitória de Indurain no Tour de France.

Bom, e daí? Daí que Pedro “Perico” Delgado assina a carta de apresentação da Marcha com palavras muito bonitas sobre o seu ex-gregario. O texto abaixo está num espanhol muito claro e simples de se entender. Destaco duas coisas:

  • Como um campeão muito carismático como Perico (venceu 1 Tour, tem outros 2 pódiums, venceus 2 Vueltas), é comentarista famoso na Espanha, etc., não se deixa levar pela vaidade e homenageia um outro campeão. A coisa mais fácil do mundo seria haver vaidades, perrengues, etc. Mas não, existe a amizade, o reconhecimento dos feitos do outro campeão e isso merece destaque.
  • Delgado me emociona ao dizer no último parágrafo que Miguel foi mais que um grande vencedor de corridas, mas também “um Senhor, um Cavalheiro, praticou o Fair Play, ao vencer e deixar vencer”. 

Para concluir, destaco outros aspectos do documento abaixo:

  • O poster com os dois campeões em Jaune e a montagem do parisiense Arc du Triomphe com o segoviano Aqueduto Romano. Segóvia é a cidade natal de Perico e este aqueduto de mais 700 m de comprimento e ‘apenas’ 1.800 anos de idade, é o grande símbolo da cidade – junto com Pedro Delgado!
  • A foto da capa da edição da 2af pós Tour, do jornal francês L’Equipe. Além da foto de Miguel I (numa brincadeira do jornal ao tratá-lo como realeza), temos o inacreditável tombo de Djamolidine Abdoujaparov. O “Terror de Tashkent” (seu apelido em relação a capital do seu país: o distante e pouco conhecido Usbequistão), que sprintava de forma muito perigosa, trombou sozinho com a grade de proteção, metros antes da linha de chegada da etapa final do Tour no Champs Elysée (vestido com o Maillot Vert!!). Graças ao tombo dramático – eu achei que o cara tinha morrido -, o Fantástico da TV Globo passou a cena…se não tivesse tombo, dane-se o ciclismo! A vitória da etapa acabou ficando para o fortíssimo alemão (ex-Oriental) Olaf Ludwig (campeão Olímpico em Seul, 1988), seguido do russo finalizador Dimitri Konishev (que foi derrotado por Mauro Ribeiro no Tour de 91). O alemão corria para a potente Panasonic, equipe que sucedeu a ainda mais dominadora TI Raleigh. Outra curiosidade, Abdou (para os íntimos) era o único ciclista profissional que professava a religião muçulmana.

Mas vamos à carta de Pedro Delgado:

20 aniversario de la
1ª victoria Miguel Indurain en el TOUR de Francia  

Cartel 2011

 

LE ROI MIGUEL

Todos nos hacemos mayores, hay que ver, hace 20 años que Miguel ganó su primer Tour. Recuerdo con incredulidad mi caso en 2008. La conmemoración del décimo aniversario, no parecía tanto, pero los 20… Perdonarme este lapsus de nostalgia, pero muchos de vosotros, que hayáis seguido más o menos de cerca nuestra trayectoria deportiva, le pasará algo parecido.

Pues sí, este año en la marcha quiero rendir honores a la primera victoria de Indurain en el Tour. Como tantas cosas en la vida, la primera vez de algo, permanece más en nuestra memoria en el tiempo que otras de la misma relevancia.

Muchos aficionados pensaron que el primer Tour de Indurain, tenía que haber sido el del ’90. Pero en aquel entonces, nuestro campeón tenía mucho respeto a la última semana, porque entre que estaba lo más exigente de la carrera y donde la fatiga se convertía en agonía, no estaba muy convencido que pudiese asumir esa responsabilidad. Eso sí, ese año le sirvió para ‘digerir’ perfectamente una carrera de 3 semanas, junto con la alta montaña (con victoria en la etapa de Luz Ardiden). Fantasmas que a un buen corredor le provocan miedo a la hora de querer coger la responsabilidad en el equipo.

Así, en ese 1991 íbamos a ser dos líderes en el Banesto para el Tour, pero sólo habrá un ganador. ¿Qué pasará? Como se dice siempre en el ciclismo, ‘la carrera pone a cada uno en su sitio’. Yo no iba muy fino, me notaba sin chispa a lo largo de los días, había corrido demasiado antes de afrontar la ronda francesa. Me gustaba competir y descansar, para mantenerme fresco, pero por aquel entonces era competir y competir para coger la forma. Por otro lado, Miguel seguía progresando venía de hacer 2º en la Vuelta, detrás de Mauri.

13ª Jaca- Val Louron

Fue el primer triunfo de Miguel en el Tour, luego vinieron otros, pero los primeros son algo especiales, pues tienes incertidumbres de todo tipo. Los años posteriores no fueron fáciles, pero todo su potencial estaba ya desarrollado. Así vimos a un ‘extraterrestre’ en la contrarreloj de Luxemburgo en el ‘92, grandes duelos individuales con Tony Rominger en ‘93, o Pantani en el ’94, o contra todo un equipo, la ONCE en Mende en 1995, en la mejor versión que he visto de Indurain, por su ambición en carrera y no reservarse en las contrarrelojes para marcar la diferencia. Después llegó ‘el Tour Que No Ganó’ y una despedida del ciclismo demasiado inesperada.

Miguel ha dejado como herencia al ciclismo, no sólo los 5 Tour, 2 Giros e innumerables éxito (medalla olímpica incluida) sino el ciclista que es todo un Señor, un Caballero, el deporte del Fair Play, de ganar y dejar ganar y todo esto vale también otros toures. velo).

Pedro Delgado

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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7 Responses to Um certo Pedro Delgado fala sobre um certo Miguel Indurain

  1. Olga Feitor says:

    Parabéns Fernando estás -te a internacionalizar cada vez mais.Até no Pais Basco já te conhecem e fazem elogios ao teu blog e ao que escreveste sobre o ciclismo no Pais Basco.Estive lá a ler e eles gostaram muito do que escreveste e também do teu comentário. Mais uma vez Parabéns pelo muito que sabes e ensinas sobre o ciclismo .Vjs.

  2. Juca says:

    “Mi baño es tu baño” disse ele ao grande Pedro Delgado depois da vitória no TdF de 91, algo como “Minha glória é sua glória”…

  3. Pengo says:

    Boa tarde, sou português e apaixonado pelo ciclismo, queria dar-lhe os parabéns pelo seu blog e estas excelentes análises que nos deixa.

    Queria perguntar-lhe algumas coisas acerca da equipa da Caloi.
    Sei que eles participaram na Volta a Portugal em bicicleta de 1989 e venceram duas etapas, uma por Marcos Mazzaron e outra por Wanderley Magalhães.

    Sabe quais foram os outros ciclistas que a equipa Caloi trouxe nesse ano à Volta a Portugal? Quais as suas classificações nessa Volta? Trouxeram algum ciclista para vencer a Volta? Como analisa a participação da Caloi na Volta a Portugal de 89?

    Obrigado

    • Obrigado pela visita e pelas palavras de apoio, Pengo! Eu não tenho estas informações, mas vou procurar o Marcos Mazzaron, um dos grandes nomes do nosso ciclismo, e consegui-las. Um abraço, FB

  4. jucaxc says:

    Fiquei curioso.
    Tem certeza que o Mazzaron ganhou uma etapa? o finado Wanderley consta na lista, mas o Mazzaron não consta.
    http://www.cyclingarchives.com/voorloopfiche.php?wedstrijdvoorloopid=5620

    abs

  5. Pengo says:

    Jucaxc:

    Mazzaron ganhou em 89 uma etapa como já tinha ganho outra em 86, ano em que a Caloi participou pela 1ª vez em na Volta a Portugal

    em relação a 86 encontrei em http://cyclolusitano.no.sapo.pt/volta86_b.htm onde até faz uma referência ao seu desempenho nessa Volta

    Em relação a 89 em que ganhou outra é que eu queria saber mais acerca da equipa da Caloi na Volta a Portugal

  6. Eduardo says:

    Uma das coisas boas de assistir a Vuelta pela TVE são os ótimos comentários do Pedro Delgado.

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