Giro 2012 – Prólogo/Prima Tappa: Taylor Phinney e seu DNA

Olá amigos,

O 1o dia do Giro 2012  – Prólogo de 8,7 km, disputado na Dinamarca – consagrou o jovem ciclista americano Taylor Phinney, de 21 anos, uma das maiores esperanças do ciclismo americano e do pelotão profissional. E, de quebra, deu uma muito bem-vinda vitória e exposição na mídia para sua equipe BMC, a mais famosa, falada e derrotada equipe do ano!

Futuro do ciclismo americano? Futuro Cancellara? Ou já é Presente com apenas 21 anos?

Phinney me lembra o talentoso (e falecido) belga Frank Vandenbroeck, que desde bastante jovem já era disputado pelas principais equipes profissionais e tratado como futura estrela. Lance Armstrong – o próprio – cuidou dele durante dois anos (equipe Livestrong), mas não conseguiu segurá-lo e deve estar gostando de ver o ex-pupilo brilhando na Europa.

Mas o jovem americano é uma máquina de vitórias desde cedo. Olha as vitórias do garoto:

  • Junior: Campeão Mundial de Perseguição Individual e de CRI
  • Sub-23: Campeão Mundial de CRI e Vencedor da Paris-Roubaix
  • Elite: Campeão Mundial de Perseguição Individual (com idade de Sub-23)

Depois que passou a se dedicar para as provas de estrada venceu os Prólogos do Tour of Utah (EUA), do ENECO Tour e do Tour de L’Avenir. Nada mal para um garoto! E no ENECO Tour do ano passado fez um ótimo 4o lugar na Geral…

DNA diferenciado

Taylor Phinney tem DNA pedalante e de campeão. Ele é filho de Davis Phinney, forte sprinter americano que fez história por lá nos 80, e de Connie Carpenter-Phinney, provavelmente a melhor ciclista americana da história. Abaixo as suas principais vitórias e curiosidades:

Papa Phinney:

Davis era um touro de forte e fez parte da 1a geração de americanos a correr pela lendária equipe 7-Eleven (rede de lojas de conveniência que chegou a ser forte em São Paulo – eu comprava lá só para prestigiar a equipe!!). Foi o primeiro americano a trocar ombradas com os sprinters europeus e fez bonito! Lemond (que corria com Bernard Hinault pela Renault-Gitane Elf e La Vie Claire) e Andy Hampsteen (também da 7-Eleven) já eram famosos nos Grand Tours, mas a chegada deste sprinter foi uma grande surpresa!

Uma imagem que marcou a minha vida foi a foto dele na Mirroir du Cyclisme da época, todo ensanguentado, após enfiar a cara no vidro traseiro do carro da equipe belga ISOGLASS, na Liège-Bastogne-Liège 1988. Após um tombo coletivo (cairam 50 ciclistas), Phinney levantou-se e saiu em perseguição aos escapados e…. levou exatos 100 pontos no rosto. Que tal?

Dia para ser esquecido na Wallonie: nunca ande grudado no carro da frente!

Principais conquistas:

  • 2 vitória de etapas do Tour de France (1986 e 1988) – e 2o da Classificação por Pontos (1988).
  • 7 x vencedor da Classificação por Pontos da Coors Classic (o “Tour de France” dos EUA nos anos 80) – Bernard Hinault, Greg Lemond e vários russos “amadores” ganharam esta prova
  • Medalha de Ouro, Estada 4×100 km, Jogos Panamericanos 1983
Davis Phinney, um jovem sprinter americano vence no Tour de France

Mama Phinney:

Para surpresa de muitos talvez, no início dos anos 80 o ciclismo feminino era absolutamente irrelevante. As revistas internacionais davam pouquíssimo destaque para as nossas campeãs, dado que haviam poucas corridas e poucas ciclistas. Mas aí surgiram as fenomenais Jeanie Longo (FRA), Maria Canins (ITA)…e uma americana chamada Connie Carpenter.

J.O. de Los Angeles, 1984: Connie – à esquerda – arremessa a bicicleta e bate, por centimetros, Rebecca Twigg, sua compatriota gatésima!

A mãe de Taylor Phinney também foi uma grande patinadora no gelo, antes de se tornar ciclista, sendo até hoje a mais jovem atleta americana a competir nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Principais conquistas:

  • Perseguição Individual: Campeã Mundial (1983) e recordista mundial (3’49”53)
  • Estrada: Medalha de Ouro, Jogos Olímpicos de Los Angeles, 1984
Coors Classic 1981: Connie celebra a vitória na Geral feminina ao lado do vencedor da prova masculina, o futuro super campeão Greg Lemond, que tinha apenas 20 anos de idade!

Então, o nosso jovem Maglia Rosa de hoje não pode se queixar de boa genética, hein!! Boa sorte para ele nas próximas etapas. Logo teremos um CRI mais longo e ele poderá se manter na ponta do Giro.

Favoritos e o Prólogo dinamarquês

Agora que já recordamos a biografia vitoriosa da família Phinney, voltemos ao Giro. O que dizer dos tempos dos “favoritos” da Classificação Geral, hein?! Teve gente fazendo tempo pior que sprinter…

Do pior para o menos pior, a classificação e o tempo perdido para Phinney:

  • Gadret: 161 a 1’16”
  • José Rujano: 142 a 1’07”
  • Michele Scarponi: 135 a 1’06”
  • Damiano Cunego: 124 a 1’03”
  • Frank Schleck: 108 a 59”
  • Joaquim ‘Purito’ Rodríguez: 44 a 43”
  • Ivan Basso: 35 a 39”
  • Roman Kreuziger: 28 a 36”

Viram como não é implicância minha? O melhor favorito tomou 36” e ficou em 28o. Merckx, Hinault, Moser, Saronni, Roche, Indurain, Armstrong, Contador etc., não faziam estes tempos patéticos no Prólogo dos Grand Tours que correram e venceram.

Pantani foi a excessão que confirma a regra.

Ciao, F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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5 Responses to Giro 2012 – Prólogo/Prima Tappa: Taylor Phinney e seu DNA

  1. George Panara says:

    Some a toda carga genética pode-se dizer que a formação do Phinney é mezzo italiana, ele mora na região do Veneto, domina o idioma italiano e aí podem colocar junto o dialeto veneto – não é para qualquer um. Tem tudo para conseguir uma grande torcida a seu favor.

    • Não sabia, obrigado! Lemond abriu o caminho: “quer fazer ciclismo pra valer, vai morar na Europa” e o garoto entrou nessa desde cedo. Antigamente os americanos tinham dificuldade em se adaptar ao estilo de vida dos europeus, preferiam morar nos EUA e passar uns curtos períodos na Itália, França, Espanha ou Bélgica – e poucos se davam bem.

  2. Davi Benati says:

    Grande Fernando! Que bom que achou novamente um tempinho pra escrever! E ainda bem que continuei entrando aqui vez ou outra na esperança de um postzinho, rsrsrs!!!
    Um abraço e bom Giro a todos nós!

  3. José Carlos SBC/SP says:

    Ufa, terminei! O Fernando voltou revigorado e num momento ideal (agora que ele “desencaxotou” suas revistas), rsssss

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