Giro 2012 – 2a Tappa: vitória de Cavendish + Dinamarca?

Buongiorno a tutti gli amici del Giro d’Italia!

A 2a etapa da Volta da ITÁLIA, disputada na distante DINAMARCA, acabou em sprint como até um cego apostaria. Sim, porque a terra de Bjarne Riis é plana como uma mesa de bilhar.

Não houve surpresa: Cavendish é o homem mais rápido do mundo em condições normais e o segundo colocado, seu amigo e ex-colega de HTC Matthew Harvey Goss, é considerado pelo próprio Cav como o seu maior rival.

Também não foi surpresa ver o medíocre Tyler Farrar apenas ciscar, assim como o ex-lançador de Cavendish, o “cabeça-de-aço” Mark Renshaw (agora líder da Rabobank), ficar para tras. Aliás, Renshaw prova uma vez mais que embalar, lançar e sprintar para a vitória são coisas diferentes e exigem qualidades diferentes.

No passado recente tivemos grandes lançadores, como o italiano Gian Matteo Fagnini (ex-embalador de Cippolini e depois de Zabel) que ganhou uma pequena fortuna na carreira apenas para lançar seus líders a 65 km/h, faltando 200 m para “il traguardo” – no entanto, nunca venceu grande coisa quando Cipo ou Erik não estavam competindo.Cena comum: grande sprinter (Erik Zabel) e seu lançador (Fagnini) de braços para o alto

Cena comum: grande sprinter (Zabel) e seu lançador (Fagnini) com os braços para o alto, comemorando mais uma vitória

Lições de geografia do Giro d’Italia

Vocês devem saber que um Grand Tour não larga da cidade X e termina na cidade Y porque o organizador da corrida simpatiza seu povo ou porque suas ruas são bem asfaltadas. O motivo é DINHEIRO!! É o bom e velho “PAGOU, LEVOU”.

E é por isso que os organizadores do Giro decidiram levar a gigantesca caravana da prova para a distante Dinamarca e lá fazer 3 etapas: os euros dinamarqueses ajudarão a RCS a lucrar alguns milhões a mais…assim como cansarão desnecessariamente as estrelas do show: os ciclistas!

 Little Mermaid / Pequena Sereia: um dos monumentos mais visitados (e sem graça) do mundo fica na terra da Saxo Bank e do Bjarn Riis

No passado isso não acontecia, seja por tradição ou por meios de transportes menos eficientes e frequentes. Em compensação, reparem no exagero dos últimos 10 anos: é praticamente ano sim, ano não, e o Giro parte de algum país DISTANTE!!

Sim, distante, porque uma coisa é largar em Mônaco ou Nice, que estão ali do lado, ou em San Marino ou Vaticano, que estão dentro do território italiano. Porém, entre o norte da Itália (Piemonte, Lombardia, Veneto) e países como Dinamarca, Bélgica e Holanda, é necessário cruzar a Suiça e a Alemanha! E todo mundo sabe o porre que é enfrentar aeroporto, longos transfers etc. – sem falar na caravana motorizada, que precisa atravessar milhares de quilometros em apenas 1 dia, para a largada da primeira etapa em solo pátrio.

Abaixo a lista de largadas do Giro fora da Itália:

ANO PAÍS CIDADE
1965 San Marino San Marino
1966 Mônaco Monte Carlo
1973 Bélgica Verviers
1974 Vaticano Vaticano
1996 Grécia Atenas
1998 França Nice
2002 Holanda Groningen
2006 Bélgica Seraing
2010 Holanda Amsterdam
2012 Dinamarca Herning

E o Tour? Após me incomodar com a frequência de grandes deslocamentos do Giro, me ocorreu: “E o Tour, será igual?”. Após uma boa pesquisa cheguei às seguintes conclusões:

  • Os organizadores da ASO adoram promover o Grand Depart du Tour de France em outros países – incursões neles pelas etapas da prova, então, passam de uma centena!
  • No entanto, a imensa maioria se dá em países vizinhos (Alemanha, Andorra, Bélgica, Itália, Luxemburgo, Mônaco e Suiça) ou muito próximo (Holanda), onde os ciclistas entram pedalando em território francês em apenas duas ou três etapas, sem maiores complicações logísticas.
  • As excessões dígnas de nota são: (a) Inglaterra em 2007, (b) Irlanda em 1998.
  • Loucura total: em 1994 o Tour largou no norte da França, circulou por Roubaix e foi até a Inglaterra para apenas duas etapas e retornar. Progama de índio sem igual!!

E já que citei este Tour 94, lembrei-me de um dos tombos mais horríveis da história do sprint. Um gendarme francês resolveu tirar uma foto da chegada e, ao dar um passinho a frente, foi magistralmente atropelado pelo sprinter belga Wilfried Nelissen, que vinha com a cabeça baixa. O então rapidíssimo Laurent Jalabert, para desviar dos caídos, trombou com o sinal da Coca-Cola e se arrebentou também. Os dois abandonaram o Tour completamente arrebentados e o tal guarda foi investigado pela direção da polícia local, mas não encontraram nenhuma irresponsabilidade em seu ato. Sei…

Abaixo, foto e link do video.

Atenção: Jalabert, à esquerda, corria pela ONCE (de rosa) e irá trombar com o sinal da Coca-Cola. Nelissen está vestido de Campeão Belga, já rolando no chão.

Para assistir o video clique AQUI, mas atenção: as imagens são realmente fortes.

Vale lembrar que há uns 30 anos se discute a viabilidade de largar o Tour e o Giro em território americano (New York, Washington, Canadá). O diabo é que as 5 horas de fuso horário mataria o pelotão. Nem a volumosa oferta de dólares que vem sendo feita conseguiu convencer os organizadores a embarcarem nesta doidice…até agora, pelo menos, pois a RCS parece faminta por grana!

E segue o Giro!

Ciao, F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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4 Responses to Giro 2012 – 2a Tappa: vitória de Cavendish + Dinamarca?

  1. George Panara says:

    Por dinheiro os organizadores de eventos são capazes de qualquer coisa e assim a história e a paciência dos atletas é destruída pouco a pouco. Hoje os motoristas da caravana estão enfrentando mais de 1500 km entre Herning até Verona – direto de uma tacada e sem paradas e nem incidentes com algum otimismo são mais de 15 horas de estrada. Cruzar as fronteiras por uma estrada é uma coisa normal – lembrem-se que antes do Euro – nos idos de 60/70 italianos invadiam a Suíça em busca de benefícios fiscais, até hoje quem mora em cidades de fronteira vai para o cantão suíço para abastecer o seu veículo com combustível mais barato e comprar chocolates ou visitar os outlets de marcas famosas. Franceses indo para o lado espanhol ou italiano, entrar da Itália para a Aústria é coisa normal. Em 1996 quando se disputaram 3 etapas na Grécia – as viaturas da equipes foram colocadas em Ferryboats e em horas desembarcaram no “salto da bota” para a largada da etapa em Ostuni, na Puglia, ou seja uma operação de logística dentro da realidade e que não era uma surra para equipes (motorhomes, caminhões e carros de apoio) e ciclistas e seus motoristas – e até poderia se utilizar como argumento da etapa na Grécia a cultura mediterrânea e também o motivo oficial comemorar o centenário dos Jogos Olímpicos. Mas essa história da Dinamarca não dá para engolir e o principal a 1ª e 2ª etapas foram disputadas na casa e no quintal do Bjarne Riis em Herning qual o motivo disso além da grana? Seria a paixão de Riis – conhecido pelos mecânicos pelo pouco cuidado que tinha com os seus equipamentos, um verdadeiro destruidor de bicicletas http://www.youtube.com/watch?v=DFzteK_y1b4?. Talvez pelo respeito que Riis teve pelos fabricantes italianos que forneciam suas bicicletas? . E como já falei: – Giro fora da Itália só vale mesmo se a largada for na Little Italy em Manhattan; no Bairro da Boca em Buenos Aires ou numa etapa entre a Móoca e o Bixiga em São Paulo –

    • Perfeito, George, e muito obrigado pelas informações adicionais.
      E que bom que resgatou este video do antipático do Bjarne! Eu estava lá na Eurodisney neste dia, assistindo o CRI ao vivo. Não estava no local exato deste vexame de Mr. Riis, mas assisti tudo isso de frente ao telão da linha de chegada. O homem era o atual campeão do Tour (96) e havia desbancado Indurain, e jamais poderia imaginar que seu pupilo alemão, ainda tão jovem, poderia superá-lo tão facilmente. Nervos à flor da pele, pedal nem tanto…

  2. Eduardo says:

    Fernando, que maravilha de notícia o seu retorno …. como fã diário (todo dia dava uma olhada para ver se tinhamos notícias) andei até no site do Zaka buscando informações sobre esse aguardado retorno …. rsrsrs … gracias

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