Primavera 2012 x Primavera 2011 – Alguma diferença?

Caros,

Hoje eu não falarei do Giro d’Italia, que ainda está numa fase “pedalabile” (como dizem os italianos quando o pelotão não enfrenta terrenos mais duros), sem qualquer componente épico nas etapas até agora. Aliás, vem sendo um festival de sprints, de ataques de ciclistas gregários e, bem, finalmente hoje tivemos um favorito mostrando ao que veio.

O catalão Joaquim ‘Purito’ Rodríguez venceu em Asisi, no sprint, no alto da pequena montanha do centro histórico da cidade. Na verdade, a etapa mais pareceu uma versão italiana da Flèche Wallone, com um paredão no final igualzinho ao Mur d’Huy. No entanto, apesar de vestir a Maglia Rosa não colocou tempo relevante em seus principais rivais.

Primavera / Printemps / Spring / Voorjaar

Esta estação do ano é sinônimo de Clássicas. Com excessão da italiana Milano – San Remo todas acontecem no norte da Europa. Metade delas acontece em terreno ondulado (Liège, Flèche, Amstel) e outra metade nos pavés (Roubaix, Flandres, Wevelgen).

Vamos relembrar 2011:

  • “Zebras”: tivemos as vitórias de Matt Goss em San Remo, Johan Vansummeren em Roubaix e Nick Nuyens no Ronde. Nenhum deles era sequer cotado para o pódium, apesar de todos serem bons ciclistas (para o Top 10).
  • “Super Homem do Ano”: o belga Phillipe Gilbert estava em estado de graça e igualou o recorde de Davide Rebellin, vencendo as três Clássicas da região Ardennes/Limburg: Liège, Flèche e Amstel. Estas três provas tem como característica similar as subidas fortes no final do percurso e Gilbert é o melhor do mundo neste terreno.
  • “Equipe sensação vexaminosa do ano”: lembram da Leopard, de Cancellara + irmaos Schleck? Vexame do ano (inteiro e não só na Primavera). O suiço era o ciclista mais forte do pelotão e foi marcado “homem-a-homem” pelos principais rivais e meteu “as sapatilhas pelas luvas” algumas vezes, por confiar demais na sua força. Nas Ardennes, os irmãos luxemburgueses só andaram bem em Liège, mas apenas adornaram o pódium para Gilbert, fazendo o 2o e o 3o lugares.
Phillipe Gibert, versão ‘canibal’ 2011 – o ano em que a Bélgica vibrou como nos tempos de Eddy Merckx
 
Los 3 Amigos…versão 2011 para os Três Patetas – prejuízo de resultados para os ciclistas e financeiro para o investidor.
 

E em 2012, alguma diferença?

  • “Zebras”: em Milano tivemos um quase repeteco de 2011, com outro australiano inesperado, Simon Gerrans, vencendo-a (às custas de Cancellara, o mais forte de novo). Depois, tivemos Purito Rodríguez na Flèche, Maxim Iglinsky em Liège e Enrico Gasparotto no Amstel. Menção honrosa para Purito, mas os demais foram zebraças!
  • “Super Homem do Ano”: se Gilbert foi a estrela solitária em 2011 num único tipo de terreno, Tom “Tommeke” Boonen fez o mesmo, só que nos lendários pavés. E com um recorde único: ninguém havia vencido Roubaix, Ronde e Wevelgen no mesmo ano. Mais que isso, ele igualou o recorde de 4 vitórias de Roger de Vlaeminck na Paris-Roubaix – que durava desde o distante 1977. Quer mais? Boonen ultrapassou Johan Musseuw como maior vencedor de “Clássicas Pavés”: agora ele soma 4 Roubaix, 3 Ronde e 3 Wevelgen. Monstruoso!
  • “Equipe sensação vexaminosa do ano”: a decepcionante Leopard de 2011 foi fundida/absorvida pela não mais brilhante Radio Schack…e continuou tão ruim quanto antes – a diferença é que deixara de ser ‘a’ sensação. Mas a temporada 2012 iniciou (e continuará até o Tour de France) com todos os olhares voltados para a suiça BMC. Eles já tinham o forte ‘pavésista’ Alessandro Ballan (ex-Campeão Mundial e ex-vencedor do Ronde) e Cadel Evans (ex-Campeão Mundial e ex-vencedor de uma Flèche), mas ainda foram buscar ‘apenas’ gigantes como Phillipe Gilbert e o ex-Campeão Mundial e ex-Maillot Vert do Tour de France (2 vezes) Thor Hushvod. O termo ESQUADRÃO não é exagero…mas eles não ganharam NADA até agora!!
Boonen, 3o Ronde van Vlaanderen/Tour de Flandres, empatando o recorde de Musseuw, Buysse, Leman e Fiorenzo Magni (o único não belga da lista) – mais um ano sensacional para a Bélgica
 
Os 3 Patetas versão 2012 – o magnata suiço Andy Rhis ficou com inveja do luxemburgues igualmente rico Flavio Becca, e rasgou ainda mais dinheiro com a sua BMC
 

Então, este post, mais do que informar quem ganhou e quem perdeu, visa destacar a tremenda semelhança entre as duas temporadas. Duas grandes estrelas brilharam (Gilbert e Boonen, os dois belgas) e as duas equipes mais poderosas de cada ano fracassaram com louvor.

E no Giro – aqui também não será muito diferente. Ano passado tínhamos Contador “e o resto”. Com a desclassificação do espanhol o pódium ficou com o resto. Este ano não tem Contador, Schleckinho, Cadel, i.e. só tem os italianos e a safra de pior qualidade que eu tenho na memória. Em outras palavras, será um pódium pobre.

Amanhã tem mais!

Abs, F.

About Fernando Blanco

Apaixonado por ciclismo há mais de 30 anos, começou a pedalar em 1977 em Santos, tendo corrido para valer até os 20 anos de idade, quando coisas 'banais' como faculdade, carreira executiva, casamentos e filhos atrapalharam um pouco...agora, como Senior B, está treinando forte e pretende compensar o tempo perdido. Como ciclista foi um bom sprinter, chegando à pré-convocação da Seleção Brasileiros de Juniores em 1979. Se a carreira como ciclista não foi grande coisa, a coleção de revistas locais e internacionais (mais de 1.000) e de videos/DVDs (mais de 100) proveram bastante cultura sobre o ciclismo profissional. Provas internacionais acompanhadas ao vivo: Mundial de Estrada ('07), Mundial de Pista ('89), Tour de France ('97 e '02), Liège-Bastogne-Liège e Flèche Wallone (ambas em '92), Paris-Nice ('97), Ronde van Belgie (´89).
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7 Responses to Primavera 2012 x Primavera 2011 – Alguma diferença?

  1. George Panara says:

    E por falar em primavera – até os anos 90 muito se falava no pelotão das crises de alergia que muitos ciclistas sofriam quando passavam pelos campos floridos da Europa. Com a floração e o pólen no ar os pelotões sofriam constantemente baixas …. Ou inventaram um novo remédio ou temos ciclistas naturalmente imunes à natureza?

  2. Leandro Bittar says:

    A melhor frase foi a última! Queremos MAIS!!!!! ehehehehhe

    Panara, hoje eu li que o Uran tem essa alergia tb…

    • Eu nunca entendi essa história direito. O mais famoso desta turma foi o grande Tony Rominger (3xVuelta, 1xGiro, 2xGiro di Lombardia, 1xRecorde da Hora), 1xWorld Cup, 2o do Tour 93 (3 vitórias de etapas). O sujeito sofria muito com a respiração…imagina se não sofresse.

  3. Leandro Bittar says:

    Mauro Ribeiro também afirmou que sofria com essa crise.

    A coisa complica quando você percebe que 70% do pelotão tem algum problema respiratório comprovado, o que lhe permite ministrar medicamentos proibidos aos 30%!

    Lembra do Petacchi, que tinha licença mas exagerou no Sabultamol?

    • Bem lembrado, Leandro.
      Uma vez o L’Equipe vazou a lista de “permissões” para uso de produtos dopantes presentes em remédios, declarados pelas equipes que correram um determinado Tour de France. Todos os ciclistas sofriam de todo tipo de mal e diziam tomar todo tipo de remédio.
      E, sinicamente, escreveram: “Homens com saúde tão frágil deveriam ser proibidos de correr uma prova tão dura”. Verdade…

  4. CervaBike says:

    Alergia ao pólen = desculpa pra encher a cara de corticóide🙂

  5. thales says:

    Por favor! Divulguem esse rápido questionário para avaliar o sistema de integração bicicleta-metrô de sp!
    https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dDBhd1hISlpSUUZHblZ0NlNVUEMyTnc6MQ

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