Giro 2012 – 2a Tappa: vitória de Cavendish + Dinamarca?

Buongiorno a tutti gli amici del Giro d’Italia!

A 2a etapa da Volta da ITÁLIA, disputada na distante DINAMARCA, acabou em sprint como até um cego apostaria. Sim, porque a terra de Bjarne Riis é plana como uma mesa de bilhar.

Não houve surpresa: Cavendish é o homem mais rápido do mundo em condições normais e o segundo colocado, seu amigo e ex-colega de HTC Matthew Harvey Goss, é considerado pelo próprio Cav como o seu maior rival.

Também não foi surpresa ver o medíocre Tyler Farrar apenas ciscar, assim como o ex-lançador de Cavendish, o “cabeça-de-aço” Mark Renshaw (agora líder da Rabobank), ficar para tras. Aliás, Renshaw prova uma vez mais que embalar, lançar e sprintar para a vitória são coisas diferentes e exigem qualidades diferentes.

No passado recente tivemos grandes lançadores, como o italiano Gian Matteo Fagnini (ex-embalador de Cippolini e depois de Zabel) que ganhou uma pequena fortuna na carreira apenas para lançar seus líders a 65 km/h, faltando 200 m para “il traguardo” – no entanto, nunca venceu grande coisa quando Cipo ou Erik não estavam competindo.Cena comum: grande sprinter (Erik Zabel) e seu lançador (Fagnini) de braços para o alto

Cena comum: grande sprinter (Zabel) e seu lançador (Fagnini) com os braços para o alto, comemorando mais uma vitória

Lições de geografia do Giro d’Italia

Vocês devem saber que um Grand Tour não larga da cidade X e termina na cidade Y porque o organizador da corrida simpatiza seu povo ou porque suas ruas são bem asfaltadas. O motivo é DINHEIRO!! É o bom e velho “PAGOU, LEVOU”.

E é por isso que os organizadores do Giro decidiram levar a gigantesca caravana da prova para a distante Dinamarca e lá fazer 3 etapas: os euros dinamarqueses ajudarão a RCS a lucrar alguns milhões a mais…assim como cansarão desnecessariamente as estrelas do show: os ciclistas!

 Little Mermaid / Pequena Sereia: um dos monumentos mais visitados (e sem graça) do mundo fica na terra da Saxo Bank e do Bjarn Riis

No passado isso não acontecia, seja por tradição ou por meios de transportes menos eficientes e frequentes. Em compensação, reparem no exagero dos últimos 10 anos: é praticamente ano sim, ano não, e o Giro parte de algum país DISTANTE!!

Sim, distante, porque uma coisa é largar em Mônaco ou Nice, que estão ali do lado, ou em San Marino ou Vaticano, que estão dentro do território italiano. Porém, entre o norte da Itália (Piemonte, Lombardia, Veneto) e países como Dinamarca, Bélgica e Holanda, é necessário cruzar a Suiça e a Alemanha! E todo mundo sabe o porre que é enfrentar aeroporto, longos transfers etc. – sem falar na caravana motorizada, que precisa atravessar milhares de quilometros em apenas 1 dia, para a largada da primeira etapa em solo pátrio.

Abaixo a lista de largadas do Giro fora da Itália:

ANO PAÍS CIDADE
1965 San Marino San Marino
1966 Mônaco Monte Carlo
1973 Bélgica Verviers
1974 Vaticano Vaticano
1996 Grécia Atenas
1998 França Nice
2002 Holanda Groningen
2006 Bélgica Seraing
2010 Holanda Amsterdam
2012 Dinamarca Herning

E o Tour? Após me incomodar com a frequência de grandes deslocamentos do Giro, me ocorreu: “E o Tour, será igual?”. Após uma boa pesquisa cheguei às seguintes conclusões:

  • Os organizadores da ASO adoram promover o Grand Depart du Tour de France em outros países – incursões neles pelas etapas da prova, então, passam de uma centena!
  • No entanto, a imensa maioria se dá em países vizinhos (Alemanha, Andorra, Bélgica, Itália, Luxemburgo, Mônaco e Suiça) ou muito próximo (Holanda), onde os ciclistas entram pedalando em território francês em apenas duas ou três etapas, sem maiores complicações logísticas.
  • As excessões dígnas de nota são: (a) Inglaterra em 2007, (b) Irlanda em 1998.
  • Loucura total: em 1994 o Tour largou no norte da França, circulou por Roubaix e foi até a Inglaterra para apenas duas etapas e retornar. Progama de índio sem igual!!

E já que citei este Tour 94, lembrei-me de um dos tombos mais horríveis da história do sprint. Um gendarme francês resolveu tirar uma foto da chegada e, ao dar um passinho a frente, foi magistralmente atropelado pelo sprinter belga Wilfried Nelissen, que vinha com a cabeça baixa. O então rapidíssimo Laurent Jalabert, para desviar dos caídos, trombou com o sinal da Coca-Cola e se arrebentou também. Os dois abandonaram o Tour completamente arrebentados e o tal guarda foi investigado pela direção da polícia local, mas não encontraram nenhuma irresponsabilidade em seu ato. Sei…

Abaixo, foto e link do video.

Atenção: Jalabert, à esquerda, corria pela ONCE (de rosa) e irá trombar com o sinal da Coca-Cola. Nelissen está vestido de Campeão Belga, já rolando no chão.

Para assistir o video clique AQUI, mas atenção: as imagens são realmente fortes.

Vale lembrar que há uns 30 anos se discute a viabilidade de largar o Tour e o Giro em território americano (New York, Washington, Canadá). O diabo é que as 5 horas de fuso horário mataria o pelotão. Nem a volumosa oferta de dólares que vem sendo feita conseguiu convencer os organizadores a embarcarem nesta doidice…até agora, pelo menos, pois a RCS parece faminta por grana!

E segue o Giro!

Ciao, F.

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Giro 2012 – Prólogo/Prima Tappa: Taylor Phinney e seu DNA

Olá amigos,

O 1o dia do Giro 2012  – Prólogo de 8,7 km, disputado na Dinamarca – consagrou o jovem ciclista americano Taylor Phinney, de 21 anos, uma das maiores esperanças do ciclismo americano e do pelotão profissional. E, de quebra, deu uma muito bem-vinda vitória e exposição na mídia para sua equipe BMC, a mais famosa, falada e derrotada equipe do ano!

Futuro do ciclismo americano? Futuro Cancellara? Ou já é Presente com apenas 21 anos?

Phinney me lembra o talentoso (e falecido) belga Frank Vandenbroeck, que desde bastante jovem já era disputado pelas principais equipes profissionais e tratado como futura estrela. Lance Armstrong – o próprio – cuidou dele durante dois anos (equipe Livestrong), mas não conseguiu segurá-lo e deve estar gostando de ver o ex-pupilo brilhando na Europa.

Mas o jovem americano é uma máquina de vitórias desde cedo. Olha as vitórias do garoto:

  • Junior: Campeão Mundial de Perseguição Individual e de CRI
  • Sub-23: Campeão Mundial de CRI e Vencedor da Paris-Roubaix
  • Elite: Campeão Mundial de Perseguição Individual (com idade de Sub-23)

Depois que passou a se dedicar para as provas de estrada venceu os Prólogos do Tour of Utah (EUA), do ENECO Tour e do Tour de L’Avenir. Nada mal para um garoto! E no ENECO Tour do ano passado fez um ótimo 4o lugar na Geral…

DNA diferenciado

Taylor Phinney tem DNA pedalante e de campeão. Ele é filho de Davis Phinney, forte sprinter americano que fez história por lá nos 80, e de Connie Carpenter-Phinney, provavelmente a melhor ciclista americana da história. Abaixo as suas principais vitórias e curiosidades:

Papa Phinney:

Davis era um touro de forte e fez parte da 1a geração de americanos a correr pela lendária equipe 7-Eleven (rede de lojas de conveniência que chegou a ser forte em São Paulo – eu comprava lá só para prestigiar a equipe!!). Foi o primeiro americano a trocar ombradas com os sprinters europeus e fez bonito! Lemond (que corria com Bernard Hinault pela Renault-Gitane Elf e La Vie Claire) e Andy Hampsteen (também da 7-Eleven) já eram famosos nos Grand Tours, mas a chegada deste sprinter foi uma grande surpresa!

Uma imagem que marcou a minha vida foi a foto dele na Mirroir du Cyclisme da época, todo ensanguentado, após enfiar a cara no vidro traseiro do carro da equipe belga ISOGLASS, na Liège-Bastogne-Liège 1988. Após um tombo coletivo (cairam 50 ciclistas), Phinney levantou-se e saiu em perseguição aos escapados e…. levou exatos 100 pontos no rosto. Que tal?

Dia para ser esquecido na Wallonie: nunca ande grudado no carro da frente!

Principais conquistas:

  • 2 vitória de etapas do Tour de France (1986 e 1988) – e 2o da Classificação por Pontos (1988).
  • 7 x vencedor da Classificação por Pontos da Coors Classic (o “Tour de France” dos EUA nos anos 80) – Bernard Hinault, Greg Lemond e vários russos “amadores” ganharam esta prova
  • Medalha de Ouro, Estada 4×100 km, Jogos Panamericanos 1983
Davis Phinney, um jovem sprinter americano vence no Tour de France

Mama Phinney:

Para surpresa de muitos talvez, no início dos anos 80 o ciclismo feminino era absolutamente irrelevante. As revistas internacionais davam pouquíssimo destaque para as nossas campeãs, dado que haviam poucas corridas e poucas ciclistas. Mas aí surgiram as fenomenais Jeanie Longo (FRA), Maria Canins (ITA)…e uma americana chamada Connie Carpenter.

J.O. de Los Angeles, 1984: Connie – à esquerda – arremessa a bicicleta e bate, por centimetros, Rebecca Twigg, sua compatriota gatésima!

A mãe de Taylor Phinney também foi uma grande patinadora no gelo, antes de se tornar ciclista, sendo até hoje a mais jovem atleta americana a competir nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Principais conquistas:

  • Perseguição Individual: Campeã Mundial (1983) e recordista mundial (3’49”53)
  • Estrada: Medalha de Ouro, Jogos Olímpicos de Los Angeles, 1984
Coors Classic 1981: Connie celebra a vitória na Geral feminina ao lado do vencedor da prova masculina, o futuro super campeão Greg Lemond, que tinha apenas 20 anos de idade!

Então, o nosso jovem Maglia Rosa de hoje não pode se queixar de boa genética, hein!! Boa sorte para ele nas próximas etapas. Logo teremos um CRI mais longo e ele poderá se manter na ponta do Giro.

Favoritos e o Prólogo dinamarquês

Agora que já recordamos a biografia vitoriosa da família Phinney, voltemos ao Giro. O que dizer dos tempos dos “favoritos” da Classificação Geral, hein?! Teve gente fazendo tempo pior que sprinter…

Do pior para o menos pior, a classificação e o tempo perdido para Phinney:

  • Gadret: 161 a 1’16”
  • José Rujano: 142 a 1’07”
  • Michele Scarponi: 135 a 1’06”
  • Damiano Cunego: 124 a 1’03”
  • Frank Schleck: 108 a 59”
  • Joaquim ‘Purito’ Rodríguez: 44 a 43”
  • Ivan Basso: 35 a 39”
  • Roman Kreuziger: 28 a 36”

Viram como não é implicância minha? O melhor favorito tomou 36” e ficou em 28o. Merckx, Hinault, Moser, Saronni, Roche, Indurain, Armstrong, Contador etc., não faziam estes tempos patéticos no Prólogo dos Grand Tours que correram e venceram.

Pantani foi a excessão que confirma a regra.

Ciao, F.

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Giro d’Italia 2012 – “Viva il Giro degli Vecchi”

Quanto tempo, hein, moçada! Primeiramente, minhas saudações ciclísticas a todos os amigos deste blog. Este é o primeiro post de 2012 e espero que seja o primeiro de uma longa série.

E finalmente começa a temporada de Grand Tours! Após as Clássicas da Primavera (sobre a qual falarei durante o fim de semana), chega o Giro d’Italia – La Corsa Rosa -, que é considerado por muitos como a mais charmosa das 3 Grandes.

Porém, na minha opinião, este será o Giro mais sem graça da história recente – e por ‘recente’ eu digo: dos últimos 50 anos, que até onde vai a minha coleção de revistas internacionais. Dois motivos:

1. Pelotão – quem acompanha os meus comentários no Facebook já sabe a minha opinião: esta é a pior geração de ciclistas de Grand Tours desde…que eu acompanho o esporte. Pegando carona na lista de favoritos da Cyclingnews.com, reparem que parece um “museu”, tamanho número de ciclistas que já passaram do seu pico há anos…e que por falta de concorrência decente continuam posando de favoritos. A lista:

  • Ivan Basso34 anos – não tem passo forte na montanha ou em CRI faz tempo e nunca teve arrancada para fugas. Seu Giro 2006 foi fuoriclasse, mas estava notoriamente ‘aditivado’, conforme sugeriram os sacos de sangue da Operação Puerto e o rival-que-virou-inimigo Gilberto Simoni.
  • Michele Scarponi32 anos – seu primeiro 4o lugar no Giro se deu apenas em 2010, quando já tinha 30 anos, e a herança do título de Contador ano passado foi decepcionante.
  • John Gadret33 anos – o veterano francês “revelação” do ano passado (3o + 1 vitória de etapa) tem um palmarés tão fraco que chega a ser cômico ter virado “candidato”.
  • José Rujano30 anos – lembram deste mini-venezuelano que surpreendou o mundo duas vezes? A primeira foi quando, aos 23 anos, ficou em 3o lugar no Giro 2005 (além de vencer a Maglia Verde da montanha e o Prêmio da Combatividade). A segunda surpresa foi quando ressuscitou ano passado, após anos de vexames, ficando em 6o lugar e vencendo 1 etapa presenteado por Contador (que não sprintou).
  • Joaquim Rodríguez33 anos – eu irei torcer para este catalão, operário do ciclismo. É um lutador! Apesar da explosão em sprints de alta montanha, don Joaquim tem um dos piores CRI do pelotão e sempre irá perder Grand Tours na última semana. Está em forma (venceu e convenceu na Flèche Wallone), sobe bem, mas não suficientemente bem para levar a Maglia Rosa. E é outro que fez o seu primeiro pódium na Vuelta aos 30 anos…
  • Frank Schleck32 anos – o 3o lugar no último Tour o credencia como favorito deste Giro, dada a fragilidade dos concorrentes. Mas é um ciclista ‘sem sal’, sem brilhantismo algum – lembram que em 2011, junto com o irmão, foi humilhado por Evans no Tour e por Gilbert em Liège, no inesquecível ano de fracassos da Leopard?
  • Damiano Cunego30 anos – o eterno Piccolo Principe está na lista só para preencher espaço, pois não conseguiram listar 10 nomes…a Maglia Rosa vencida em 2004 foi a surpresa do século e não teve sequência. Tornou-se um ciclista forte de Clássicas (3x Lombardia, 1x Amstel e pódiuns em Liège e Flèche) e o 6o lugar no Tour de 2011 não o tornam favorito de nada.
  • Ryder Hesjedal31 anos – este canadense com nome de viking norueguês lutará, se tanto, por um Top 10. E só.
  • Domenico Pozzovivo29 anos – Acharam o primeiro favorito com menos de 30 anos!! …mas tem quase 30! …que dureza…bem, ele venceu o duro Giro del Trentino 2102 e vai lutar pelo Top 10. E só…
  • Roman Kreuziger25 anos – FINALMENTE UM JOVEM!! O checo da equipe Astana foi Campeão Mundial sub-23 (com apenas 19 anos) e é, faz tempo, uma eterna esperança no pelotão pro. Mas não há meio de desabrochar. O 5o lugar no Giro 2011 não foi muito encorajador, mas foi um primeiro passo.

Então, vocês acham que eu estou sendo muito negativo? Vejam que o único da lista que venceu um Grand Tour na estrada – e não por ‘herança’ – foi o já veternao e eternamente controverso Ivan Basso. Os demais, quase todos igualmente coroas, não só venceram pouco na vida como também só apareceram em pódium de Grand Tour quando já estavam na faixa dos 30 anos.

2. “Um Giro mais Humano” – foi assim que il direttore do Giro d’Italia definiu o percurso deste ano. Sim, serão apenas 5 etapas de alta montanha, sendo que só 3 acontecerão na tradicional última semana. Nesta edição literalmente caparam os Alpes e as Dolomites. Um crime! Por outro lado – devem ter pensado -, para que expor um grupo de ciclistas tão fracos aos rigores de outros anos.

Abaixo a minha aposta de pódium:

Para encerrar, será então um Giro chato de se assistir? Acho que não, porque tende a ser equilibrado. E isso pode gerar uma competição acirrada, ainda que sem charme e panache de outros tempos.

Ciao a tutti gli amici de questo blog!

Fernando

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Os melhores do mundo segundo WorldTour, ProTour, Vélo d’Or, Super Prestige Pernod etc., etc.

Meus amigos,

Enquanto assisto as más notícias do dia pela TV5 francesa (em francês as tragédias humanas parecem menos horríveis…talvez por que eu não as entenda direito rsrs), me inspirei para escrever sobre a história das classificações e rankings internacionais.

Desde o tempo em que as bicicletas passaram a ter duas rodas que alguém mede, compara, classifica, elege um melhor ciclista do mundo. Abaixo as classificações internacionais que eu encontrei:

Nome do Ranking / Organizador / País / Período de premiação

  • Challenge Yellow / Sédis (*) / França / 1931-82
  • Challenge Desgrange-Colombo / Diversos (**) / Diversos (**) / 1948-58
  • Super Prestige Pernod / Pernod (***) / França / 1959-87
  • UCI World Ranking / UCI / UCI / 1984-04
  • UCI World Cup / UCI / UCI / 1989-04
  • UCI ProTour / UCI / UCI / 2005-08
  • UCI WorldTour / UCI / UCI / 2009-presente
  • (*) Sédis era uma marca de correntes de bicicleta que, quando eu comecei a correr no final dos anos 70, era top de mercado. Algum leitor do blog já ouviu falar desta lenda?
  • (**) Jornais L’Equipe (França), Gazzetta dello Sport (Itália) e Het Nieuwsblad-Sportwereld (Bélgica). Bem internacional, portanto.
  • (***) Pernod era a maior empresa de bebidas da França. Hoje, após diversas fusões e aquisições, é uma das maiores do mundo e chama-se Pernod Ricard. Mesmo quem não bebe já deve ter ouvido falar dos whiskies Chivas Regal, Ballantine’s, Teacher’s, Jameson (irlândes) e os supremos single-malts The Glenlivet e Laphroig. Também fabricam outros campeões de venda, como a vodca Wyborowa, o gin Beefter, o conhaque Courvoisier, entre outras 100 marcas de tudo que vocês possam imaginar.

Antes que vocês me achem um alcoólatra que anda de bicicleta…rsrs…o meu conhecimento do tema vem do fato de eu ter morado na Escócia, terra do whisky, e por ter uma pequena coleção de Scotch, mas bebo pouquíssimo!!

Voltando às classificações…

Eu e estes rankings – num belo dia de fevereiro de 1979, minha amiga rica Patricia voltava da Europa me trazendo de presente 3 revistas Mirroir du Cyclisme (eu tinha só uma até então e quase infartei aos 17 anos de idade!). Uma delas, chamada Le Livre d’Or (O livro de ouro) trazia as matérias das últimas corridas do ano e um resumão maravilhoso da temporada.

Foi ali que eu descobri que o Giro di Lombardia de 1978 tinha sido vencido pelo grande Francesco Moser, com o não-sprinter Bernard Hinault chegando em terceiro lugar mordendo os cabos do guidon. E por que tanta raça do Blaireau? Porque ali se decidia o vencedor do Super Prestige Pernod daquele ano. Naquele momento eu aprendi a importância desta premiação. O que vem abaixo é memória + pesquisa.

Super Prestige Pernod

Este era o verdadeiro Campeonato Mundial da temporada. Era assim que os franceses o tratavam, por que o vencedor não era fruto de uma única corrida, mas graças a sua regularidade durante o ano todo.

Faziam parte da classificação todas as Clássicas, entre elas pérolas desaparecidas (ou quase) como o G.P. de Zurich e o G.P. de Frankfurt. Um Het Volk/Nieuwsblad não era, por exemplo. Além dos Grand Tours também fazia parte o Campeonato Mundial.

Ali não tinha zebra, por que era muita corrida e só corrida importante. Quem venceu mais vezes o Super Prestige??? Quem acertar ganha…não ganha nada porque é óbvio demais: EDDY MERCKX, 7 VEZES!! Ele viria a suceder a supremacia de Jacques Anquetil e suas 4 conquistas. O sucessor de Merckx foi Bernard Hinault, também com 4 vitórias.

Para um ciclista passista/sprinter vencer este ranking era quase impossível, pois os especialistas em Grand Tours marcavam uma enormidade de pontos – ah, e estas provas conferiam duas vezes mais pontos do que uma Clássica, por exemplo.

Imaginem em 1978, a vantagem de Hinault após vencer a Vuelta e o Tour. Apesar disso Moser o bateu no Super Prestige, por bem pouquinho. O italiano venceu a Paris-Roubaix, o Giro di Lombardia, foi 2o do Mundial, 3o do Giro d’Italia e 3o em Liège.

Apenas dois outros não escaladores venceram o Super Prestige: o primeiro foi o meu ídolo mór Freddy Maertens, em 1976 e 1977, quando destronou Merckx e seu seguidor mais próximo, Roger de Vlaeminck (3 vezes segundo colocado!). E por falar em “eterno segundo”, o simpático Raymond Poulidor venceu 1 vez esta Classificação, para alegria geral da França. Foi em 1964.

O sensacional irlândes Sean Kelly – tão pouco conhecido e comentado atualmente – foi tricampeão, sucedendo o reinado de Hinault. Apesar de ter vencido uma Vuelta e obtido um 5o lugar no Tour, Kelly brilhou mesmo nas Clássicas. Suas múltiplas vitórias incluem San Remo, Roubaix, Liège, Lombardia e muitas outras. Só não venceu o Ronde e o Mundial. Eu era fã incondicional deste sujeito que começou a carreira como embalador do próprio Maertens e que hoje é comentador da EuroSport…ele tem um sotaque terrível de se entender, por sinal…

Uma curiosidade diz respeito à nacionalidade dos vencedores: os belgas venceram 10 vezes consecutivas (o primeiro a vencer foi Herman van Springel em 1968, ano em que foi 2o colocado do Tour). A Irlanda, minúscula e nada tradicional no ciclismo, teve 4 vitórias consecutivas também, sendo 3 com ‘King’ Kelly e 1 com Stephen Roche em seu ano mágico de 1987, quando venceu o Giro, o Tour e o Mundial na Áustria.

Pré-história

Eu falei esse monte do Super Prestige por que eu nasci para o ciclismo no auge desta Classificação. Antes dela os franceses já tinham duas outras:

  • Challenge Desgrange-Colombo foi, de fato, o precursor do Super Prestige (houve uma briga por poder entre os organizadores e…) e laureou os maiores nomes dos anos pós II Guerra Mundial, como Schotte, Coppi, Bobet, Ockers, Kubler e De Bruyne.
  • Challenge Yellow que era diferente no conceito: só contavam pontos provas no território francês, incluindo muitas que não eram disputadas pelas grandes feras. Em seus 50 anos de vida apenas 2 estrangeiros (ou quase…) o venceram: o belga Lucien van Impe, em 1976, quando correu pela equipe francesa Gitane-Campagnolo junto com um jovem Bernard Hinault e venceu o Tour. O outro foi o “mais francês dos holandeses” Joop Zoetemelk, em 1977, quando teve um grande correndo pela também francesa Gan-Mercier (*). Os grandes nomes do Hexagono são os que mais venceram mesmo: Hinault (5 vezes e teria vencido mais um ou dois se o Challenge não deixasse de exitir em 82); Poulidor (7 vezes!!! um verdadeiro canibal de pequenas e médias provas francesas); Anquetil (só 2 vezes, por que não dava muita bola para corrida doméstica pequena); Bobet (5 vezes seguidas: era de um tempo em que se tinha que correr tudo e sempre…para comer).

Nota: essa Gan (gigantesca seguradora francesa) é a mesma que 20 anos depois iria patrocinar Greg Lemond. Mercier era uma bicicleta top francesa que eu nunca mais ouvi falar.

A UCI entra em cena

Durante todo o período do Super Prestige a vida dos analistas de ciclismo foi muito fácil. Uma grande Classificação internacional, umas 15 provas para acompanhar e pronto. Aí a UCI do presidente holandês Hein Verbruggen – ambicioso como poucos – resolveu que a entidade máxima do esporte deveria ter a verdadeira Classificação Oficial internacional.

Nada de errado…desde que fossem consistentes! Mas isso é o que menos vem ocorrendo. Até eu, um historiador fanático do ciclismo, me atrapalho todo em seguir tantas Classificações que ao longo do tempo se sobrepõem, desaparecem, mudam de regras etc. De 1984 para cá são 4 Classificações diferentes, fora mudanças de regulmento!

UCI World Ranking – lançado em paralelo com o Super Prestige Pernod (teve Sean Kelly vencendo as duas nos 3 anos de sobreposição, mostrando que eram consistentes), todas as provas da UCI faziam parte deste ranking.

Era muito interessante também por seguir o sistema da ATP (de tenis), em que os pontos obtidos nas provas do ano corrente substituem os mesmos do ano anterior. Também nunca teve zebra, por que só fera conseguia ser tão consistente ao longo do ano e com todas (!) as provas contando pontos.

Dentre os ciclistas que terminaram o ano na ponta do Ranking tivemos: Kelly (5x), Fignon, Bugno (2x), Indurain (2x), Rominger, Casagrande, Jalabert (4x), Zabel (2x), Bettini e Cunego. O World Ranking terminou em 2004. Do contrário, Bettini teria vencido mais algumas vezes.

UCI World Cup – aqui a UCI começou a se atrapalhar e ao criar um calendário específico chacoalhou o conservador mundo do ciclismo. As equipes passaram a se preocupar em marcas pontos – em serem regulares – ao invés de apenas vencer corridas. Diferentemente dos dias do Super Prestige, a UCI inventou uma camisa de líder, obrigava o ciclista a usá-la, os patrocinadores implicavam etc.

A World Cup foi uma precurssora do mais recente ProTour e teve como vencedores em sua curta vida de 16 anos os maiores ciclistas de Clássicas da história deste período – a World Cup não incluia provas por etapas e foi neste período que inventaram novas “clássicas” (muitas não duraram), como ano canadense G.P. des Ameriques, a inglesa Wincanton Classic, a alemã HEW Cyclassics, a japonesa Japan Cup e a espanhola (ou basca!) Classica de San Sebastian.

Curiosamente, também fazia parte do ranking um contra-relógio por equipes chamada G.P. de la Liberation. Apesar desse nome tão francês era disputada em Eindhoven, na Holanda, e sempre foi uma unanimidade no pelotão: “Acabem com esta corrida inútil!!”. Depois ela mudou de nome e sobreviveu até 2007.

World Cup foi vencida por Kelly (sempre ele!), Bugno, Fondriest, Ludwig, Museeuw, Bartoli, Bortolami (teve um único super ano na vida), Zabel, Tchmil, Deker e o recordista de vitórias Paolo Bettini (3x).

Fase Moderna

De 2005 para cá a UCI chacoalhou suas estruturas de novo, batendo todos os recordes de confusão, ações legais, prejuízos etc. Foi quando acabaram com as classificações anteriores e introduziram o ProTour (atualmente WorldTour).

Os problemas:

  • A lógica do ProTour é que as equipes definidas como tal devem correr TODAS as provas do calendário. Este é enorme, longo e cobre todo o globo (além das tradicionais provas européias, o pelotão vai até a China, Austrália e Canadá).
  • Outro ponto que gerou controvérsia foi o pacote de transmissão que a UCI fechou com as redes de televisão, arrecandando para sí uma fortuna (acho que aprenderam com a sua vizinha FIFA). Pois bem, quando perceberam que os seus Grand Tours gerariam um dinheirão para a UCI, os organizadores das grandes voltas se rebelaram e chutaram a UCI para fora da organização. A briga durou 2 anos, mas voltaram às pazes quando o checão foi melhor dividido.
  • As equipes grandes odeiam o Pro/WorldTour por que isso encareceu demais o custo de operação. As equipes precisam ter pelo menos 22 ciclistas (antes se mantinham com 15), viajam muito mais e são obrigadas a correr provas que, muitas vezes, não lhes interessam (seja pela pouca tradição ou por razões mercadológicas).
  • As equipes pequenas odeiam por que não podem participar das provas ProTour, salvo se forem convidadas via Wild Card. Antes isso era menos complicado. Por exemplo, uma equipe espanhola nem ia ao Tour de Flandres, o que abria uma vaga para uma equipe menor da Bélgica. Só o Tour que não muda: sempre teve mais candidato do que vaga…

Agora eu pergunto: alguém lembra quem foram os vencedores do ProTour desde 2005? Confesso que eu não lembrava até escrever este post. Já os do Super Prestige Pernod e do UCI World Ranking eu lembrava. Tudo era mais simples, mais enxuto e racional.

Mas vamos lá. Os vencedores da “dupla” ProTour e WorldTour (esta em itálico) são:

  • 2005: Danilo di Luca (Liquigas)
  • 2006: Alejandro Valverde (Caisse d’Epargne)
  • 2007: Cadel Evans (Predictor Lotto)
  • 2008: Alejandro Valverde (Caisse d’Epargne)
  • 2009: Alberto Contador (Astana)
  • 2010: Joaquim Rodrigues (Katusha)
  • 2011: Phillipe Gilbert (OmegaPharma Lotto)

Você ainda está lendo? Ok, se não dormiu depois de tanta Classificações/rankings diferentes, segue a última e que difere de todas as demais! É a premiação conhecida como Vélo d’Or (ou Bicicleta de ouro), e promovida pela revista francesa Vélo (sobrevivente dos tempos da Mirroir!!).

Enquanto todas as demais têm a objetividade dos números, resultado da soma dos pontos obtidos nas provas, o Vélo d’Or é definido pelo voto de dezenas de jornalistas especializados no mundo – torçamos para o nosso Leandro Bittar um dia entrar nessa lista!

Segue abaixo a história desta premiação, que é, atualmente, a de maior prestígio no mundo do ciclismo. Alguma dúvida que Phillipe Gilbert levou o prêmio este ano? Nenhuma. E mais, além do Vélo d’Or e do WorldTour, o wallon também foi escolhido (de novo) como Esportista do Ano na Bélgica. Que ano!

1992  Indurain (ESP)  Rominger (SUI)  Chiappucci (ITA)
1993  Indurain (ESP)  Fondriest (ITA)   Rominger (SUI)
1994  Rominger (SUI)  Indurain (ESP)  Berzin (RUS)
1995  Jalabert (FRA)   Indurain (ESP)  Olano (ESP)
1996  Museeuw (BEL)  Riis (DEN)  Zülle (SUI)
1997  Jan Ullrich (GER)  Jalabert (FRA)  Pantani (ITA)
1998  Pantani (ITA)  Bartoli (ITA)  Armstrong (USA)
1999  Armstrong (USA)  Ullrich (GER)   Tchmil (BEL)
2000  Armstrong (USA)  Zabel (GER)  Ullrich (GER)
2001  Armstrong (USA)  Zabel (GER)  Dekker (NED)
2002  Cipollini (ITA)  Armstrong (USA)  Bettini (ITA)
2003  Armstrong (USA)  Bettini (ITA)  Vinokourov (KAZ)
2004  Armstrong (USA)  Cunego (ITA)  Freire (ESP)
2005  Boonen (BEL)  Armstrong (USA)  Di Luca (ITA)
2006  Bettini (ITA)  Valverde (ESP)  Cancellara (SUI)
2007  Contador (ESP)  Cancellara (SUI)  Bettini (ITA)
2008  Contador (ESP)  Cancellara (SUI)  Sastre (ESP)
2009  Contador (ESP)  Cavendish (GBR)  Cancellara (SUI)
2010  Cancellara (SUI)  Contador (ESP)  Schleck (LUX)
2011  Gilbert (BEL)  Evans (AUS)  Cavendish (GBR)

Abraços, F.

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O nome dele é Gregor Braun…e outras histórias

Amigos,

Primeiramente, muito obrigado pela acolhida tão carinhosa de vocês pelo retorno do blog.

No final do último post eu fiz uma provocação, tipo “quem é o ciclista”, e o único que arriscou – e acertou – foi o Thiago (vai ganhar uma caramanhola com Gaterade!). E era difícil, parabéns! O alemão ocidental Gregor Braun, que corria pela La Redoute Motobecame, é quem estava na roda do seu líder Alain Bondue na Paris-Roubaix ’84. Aliás, Juca Delbone, onde estava você que nem arriscou? rsrs

Perseguição Individual – quando Gregor Braun (hoje com 55 anos) corria profissionalmente, esta era uma prova de muito prestígio pois os grandes roladores da estrada costumavam se enfrentar nos velódromos. E os grandes perseguidores também corriam pra valer na estrada. Imaginem Fabian Cancellara disposto a correr e vencer a Perseguição Individual nos J.O. de Londres ano que vem? Então, era assim! Bom, né?!…

Outra curiosidade: na época, havia a prova para Profissionais e para Amadores (não tinha essa coisa de Sub-23) e na corrida dos Pros se percorria 5.000 metros, enquanto que os amadores corriam os mesmos 4.000 m de hoje em dia. Em 1993, porém, a UCI fundiu as provas e todos passaram a correr apenas 4 km.

Para se ter uma idéia dos tempos que os Profissionais faziam, vejam as marcas dos Campeões Mundiais daquela época (atenção, para 5 km):

  • 1979 – Bert Oosterbosch (HOL), em Amsterdam (HOL): 6’09″45
  • 1978 – Gregor Braun (ALE), em Munique (ALE): 5’50″79
  • 1977 – Gregor Braun (ALE), em San Cristobal (VEN): 6’00″83
  • 1976 – Francesco Moser (ITA), em Monteroni (ITA): 6’08″27
  • 1975 – Roy Schuiten (HOL), em Rocourt (BEL): 6’06″90

Agora, uma série de informações que foram me ocorrendo enquanto pesquisava estes tempos:

  • Em 1975 o Mundial foi na Bélgica (atenção, as provas de Estrada e Pista aconteciam no mesmo país e na mesma semana, i.e. era ESPETACULAR ver tudo junto…). E os vizinhos e rivais holandeses venceram na Estrada – com a ‘zebrinha’ Hennie Kuiper em cima de Roger de Vlaeminck – e na perseguição com Shuiten, que levava o bicampeonato. Ano triste para os belgas…
  • Schuiten – lê-se “Isrralten” (nada a ver, né?!) – era forte na Estrada também e venceu, entre outras, o G.P. de Frankfurt, o G.P. des Nations, etapas da Tirreno-Adriatico e Dauphiné Libéré. E correu pela poderosa T.I. Raleigh e na italiana SCIC, ao lado de Gianbattista Baronchelli e de um novato chamado Giuseppe Saronni.
  • Franscesco Moser, quem diria, um deus do ciclismo de estrada ia media forças na Perseguição e até venceu o Mundial em casa. Esta vitória foi, no entanto, uma triste consolação para ele e para toda a Itália, já ele viria a perder, dias depois, o título de Estrada para Freddy Maertens. Obviamente os “corneteiros” italianos disseram que ele se desgastou, que deveria ter se guardado para a prova mais importante etc. Na verdade, ele e Maertens – que estava voando naqueles anos – fugiram do grupo de ponta e foram para o sprint juntos. O italiano não tinha sprint para bater o belga em hipótese alguma, nem perna para largá-lo num circuito convencional. Era o ano de Maertens e pronto. Moser venceria no ano seguinte e a Itália pôde comemorar!
  • O primeiro Mundial de ciclismo em terras latino-americanas foi em 1977, em San Cristobal – depois disso só o de Duitama na Colômbia e c’est fini. Foi lá que o alemão Braun venceu o seu primeiro Ouro na Perseguição Profissional. Em 78 venceria em casa, tornando-se herói nacional. Ah, e antes que eu me esqueça, ele havia sido Campeão Olímpico da mesma prova, em 1976, no Canadá/Montreal.
  • A minha primeira Mirroir du Cyclisme foi justamente a edição que tratava do Mundial da Alemanha, em 1978. A prova de estrada foi corrida em Nurburgring – naquele imenso circuito de F-1 (hoje ele é bem mais curto) – e as de pista foram no velódromo dos J.O. de 1972, em Munique. A foto de Braun na revista é inesquecível para mim. Ele bateu Schuiten e um jovem belga chamado Jean-Luc Vandenbroucke, tio do finado herói do final dos anos 90, Frank Vandenbroucke.
  • Em 79, o então jovem Oosterbosch venceu em sua terra, a Holanda. Ele viria a ganhar muitas provas de CRI e CRE com a poderosa TI Raleigh. Mas morreu precocemente, do coração, fato que foi muito comentado na época….doping em excesso?

    Munique, 1978: alemães em festa com a vitória de Gregor Braun e Fernando Blanco compra sua primeira Mirroir du Cyclisme rsrs

Ainda sobre Braun, ele venceu dezenas de provas de pista e contra-relógios de menor importância. Talvez pelo fato de sempre se dividir entre os velódromos no inverno e as estradas na primavera e verão, Gregor não foi além de 3 pódiuns em grandes Clássicas: Ronde, Roubaix e Amstel. Mesmo assim, sempre correu por grandes equipes. Ele era garantia de vitória em contra-relógios e nas pistas, além de ser um super domestique.

Um jovem Braun faz o experiente Jan Raas sofrer na sua roda em 1977

Ciclismo alemão – Gregor Braun emergiu para o ciclismo junto com outro alemão: Dietrich “Didi” Thurau, grande promessa que vinha de Frankfurt. Diferentemente do pistard puro Braun, Thurau era um homem de clássicas, provas de um dia, Mundial etc. E também das polêmicas…

Um alemão vencedor no Tour de France?

A Alemanha sonhava com uma vitória na Grand Boucle (será que eu já usei aqui este termo que também define o Tour de France?). Nos anos 60 o país produziu um grande campeão: Rudi Altig. Mais um pistard que foi para a estrada, Rudi logo de cara venceu La Vuelta a España e dois meses depois vestiria o Maillot Jaune no Tour…na sua primeira participação.

Só que Altig era gregário de um certo Jacques Anquetil, que detestou ver o jovem aprendiz atrapalhar os seus planos (ainda que temporariamente). Desde então, em 1962 (ano que eu nasci!), os dois nunca mais se deram bem. Aliás, uma bela e curiosa coincidência: Rudi Altig viria a se sagrar Campeão Mundial em 1966, em Nurburgring, graças a uma estratégia fraticidade entre Anquetil e Poulidor: os franceses se odiavam tanto que preferiram ver Altig escapar na cara deles, a um puxar para o outro – ouro para o alemão, prata e bronze para os franceses…enfim, Anquetil também não era fácil!

Altig exulta! Só um milagre o faria vencer Anquetil e Poulidor juntos...Milagre!!

No entanto, logo Rudi mostrou que não iria vencer o Tour e “limitou-se” a vencer, além do Mundial e da Vuelta (2x), um Ronde e uma Milano-San Remo. Nada mal, certo? Mas não vencera o Tour e isso era o que contava!

O fenômeno Thurau – em 1977, com apenas 23 anos, Didi Thurau alinhava pela primeira vez no Tour de France, ostentando o temível maillotda equipe holandesa TI Raleigh. O objetivo do jovem alemão era ganhar experiência e uma etapa. Seu líder era o holandês Hennie Kuiper.

"Troca da Guarda": Altig aconselha o jovem Thurau em algum 6 Dias da vida...

Em 77, um Merckx declinante nas Clássicas da primavera era uma incognita total para o Tour. Thevenet (vencedor de 75), Van Impe (vencedor de 76) e o “novo eterno segundo” oetemelk eram os favoritos, ao lado de Kuiper.

Mas algo deu errado nas bandas da TI Raleigh: Thurau venceu o prólogo, vestiu o Maillot e com ele seguiu até a 3a semana da prova. Venceu etapas em linha, em CRI e até de alta montanha. A mídia adorava Didi e destacava seus feitos. Resultado: o dono da equipe, Peter Post, mudou de estratégia e Kuiper deixou de ser protegido nas montanhas, sendo Dietrich Thurau o escolhido.

Super contra-relogista, Thurau arrasta a TI Raleigh no CRE em 77

O ex-campeão mundial, que sempre teve temperamento forte, não gostou e a equipe deu uma rachada. Quando finalmente Thurau cedeu nas montanhas e Kuiper foi atrás de Thevenet era tarde demais. Ficou com o segundo lugar fumegando de ódio. Mas Thurau fez um Tour estelar: venceu 5 etapas, ficou em 5o na Classificação Geral, levou o Maillot Blanc de melhor jovem, além de ser considerado como o “Futuro Eddy Merckx”. Criou-se a Thuraumania em toda Europa, e uma histeria em solo germânico.

Nota: em seu último Tour de France, Merckx lutou como um leão e terminou em 6o lugar, tendo vencido apenas uma etapa, o último CRI.

Tour 1977...um Merckx humano pela primeira vez

No entanto, o simpático alemão venceu muito menos do que dele se esperava – Liège-Bastogne-Liège, G.P. de Frankfurt, G.P. de Zurich, 6 etapas do Tour, entre outras menores -, mas sempre largava como favorito ao lado de Maertens, Moser, De Vlaeminck, Saronni, Hinault etc.

Voando para vencer em Liège em 1979: parecia que tantos outros viriam...

Nos Mundiais, foi vice-campeão duas vezes: em 1977, batido por Moser num sensacional sprint mano-a-mano, e em 1980 por Jan Raas, da Holanda e na Holanda, numa fuga com outros 6 ciclistas.

Valkemburg, 1979: Raas faz a festa na Holanda; Thurau garante uma Prata controversa

Aqui a polêmica o atingiu de novo: reportes da época dão conta que, por correrem juntos na TI Raleigh, Didi ajudou Raas o quanto pode. E como Raas aprontou tudo que poderia ter aprontado naquele Mundial, a coisa ficou feia para os dois. Há também uma história mal contada que ele teria vendido o Mundial de 77 para Moser, mas ninguém acredita muito nisso.

O alemão à frente de Moser: puxou muito e perdeu na perna mesmo

Declínio– Thurau sumiu do mapa em 1980 e eu me perguntava por onde andaria aquela fera alemã. Um dia, porém, ao abrir a Mirroir du Cyclisme de junho de 1983, vi uma foto que estampava Giuseppe Saronni (de Maglia Rosa) abraçado ao seu gregário Didi Thurau, que viria a ser o quinto colocado daquele Giro! Surpresa total, pois o homem já havia sido sepultado! E dali pra frente ele sumiu de vez das estradas e foi ganhar dinheiro nos velódromos, nas provas de 6 Dias.

A mais improvável das parcerias: Saronni e Thurau no Giro 83

Aliás, a história conta que ele – assim como todos os ciclistas alemães dígnos de menção – sempre se preocuparam demais com grandes contratos – especialmente nos velódromos -, deixando de focar na carreira propriamente dita. Sobrava talento e dinheiro, mas suas carreiras decepcionavam.

Ah sim, e sobraram casos de doping, mas isso naquela época não era tão importante…

Até que veio a Telekom – em 1995 a gigante das telecomunicações da Alemanha resolveu investir pesado no ciclismo. Contratou os melhores alemães, um super diretor belga (o ex-vencedor de Clássicas Walter Godefroot) e mudou a história do ciclismo germânico. Ullrich, Zabel e tantos outros são bem conhecidos nossos e suas conquistas ficam para outro post.

Lebewohl, F.

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Zebras Históricas – Parte 1 / Milano-San Remo

Caríssimos,

Ontem eu publiquei um “Best of 2011”, mas também comentei diversos “piores momentos“, incluindo várias ‘zebras’. Aí me ocorreu de escrever sobre outras zebras, tão ou mais históricas, que eu presenciei durante as minhas diversas ‘encarnações’:

1. Milano – San Remo

  • 2011 – Matt Goss, HTC: o australiano não é um qualquer e vinha colhendo bons resultados até março, mas o cara sempre foi embalador de Mark Cavendish e ele dificilmente estaria na lista de favoritos de alguém. Reforça esta minha visão o fato que La Primavera tem mais de 290 km e algumas subidas/descidas complicadas no final, i.e. gregarios, em geral, já não estão na ponta combatendo pela vitória e lhes falta experiência e sangue frio nesta hora. Mas Goss foi brilhante e o 2o lugar no Mundial mostrou que ele foi um vencedor de valor em 2011…ainda que inesperado.

    Goss cruza a Via Roma com Cancellara e Gilbert na roda: feito para muito poucos!

Grande Zebra da Milano – San Remo: edição de 1982, Marc Gomez (FRA), equipe Wolber:

Naqueles tempos pré internet, era quase impossível saber o que acontecia no ciclismo internacional. Então, para fanáticos como eu, restava esperar o aviso da lendária Livraria Francesa, de São Paulo, que todo mês me ligava para dizer “Bonjour, Fernando, chegou a sua Mirroir du Cyclisme“…e eu, com meus 20 e poucos anos, pegava o ônibus salivando rumo ao Centro de SP à busca da minha mais preciosa leitura do mês (os textos da FGV eram sempre segunda prioridade…).

A festa já começava no ônibus de volta para o trabalho ou faculdade, quando eu consumia cada linha, degustava cada foto…sempre com um dicionário Francês-Português do lado. E como cada edição levava entre 30 e 45 dias para chegar aqui, artigos e fotos eram vistos e revistos algumas vezes!

Mas a edição de março de 1982, que chegou no fim de abril (!!!), celebrava na capa a conquista dos desconhecios franceses Marc Gomez (Wolber) e Alain Bondue (La Redoute – Motobecame) na Milano – San Remo. Eu não queria acreditar: cadê Moser, cadê De Vlaeminck? Achava que o meu francês pobre daqueles tempos havia me pregado uma peça.

Grande emoção reencontrar com esta imagem...eu tinha 20 anos e essa revista era muito importante para mim

Afinal, 100 entre 100 analistas apostavam suas fichas em uma das seguintes feras: os italianos inimigos Francesco Moser e Giuseppe Saronni, ou no belga Fons de Wolf (que a havia vencido em 1981, assim como a Lombardia de 80), o holandês Jan Raas (que iria vencer o Ronde semanas depois), o outro belga Roger de Vlaeminck (envelhecido mas ainda voando) ou Silvano Contini (que iria vencer em Liège um mês depois). Freddy Maertens, que havia sido a sensação de 1981 e Campeão Mundial em título, vinha de um vexame atrás do outro e não fez nada em 82 e além.

De Wolf ataca no Poggio em 81, enquanto Raas observa incrédulo o jovem belga voar para a vitória

A prova – após muitas deliberações e polêmicas (como tudo na Itália), o então ‘capo’ do ciclismo italiano Vincenzo Torriani decidiu que a Milano – San Remo havia ficado muito fácil, por conta da melhoria técnica das bicicletas e da preparação dos atletas. A solução para signore Torriani foi dificultar o final da prova e introduzir a escalada de La Cipressa e seus poucos mais de 5 km, 10 km antes do Poggio. Eu a subi uma vez…de carro! É nojenta, mas não para um profissional.

Voltando à prova, como sempre, fugas matinais se formaram e naquela que realmente vingou estavam os dois franceses. Na subida da então desconhecida Cipressa (e naquela época não se dava muita bola para altimetria, reconhecimento de percurso e outros ‘luxos’ que conhecemos hoje), os franceses atacaram e deixaram alguns companheiros de escapada para trás.

Dali pra frente, Gomez e Bondue – ambos excelentes roladores nos seus tempos de amadores – baixaram a cabeça e não seriam mais alcançados até a chegada. Calma, eles NÃO eram tão mais fortes que o pelotão! Esta prova teve um componente muito particular! 

Esta foi uma daquelas típicas corridas em que a titânica rivalidade entre as estrelas do pelotão acaba por anular os esforços de perseguição, permitindo que ciclistas escapados de menor expressão tirem proveito desta guerra particular. Os textos da época dão conta que os Famcucine de Francesco Moser se recusavam a rolar em benefício do veloz Giuseppe Saronni, da Del Tongo. Aí, os Raleigh de Jan Raas também paravam. E quando os belgas de De Vlaeminck notaram que estavam puxando sozinhos também sairam da ponta.

Em dado momento, o pelotão começou a passear pela costa meditarrânea, enquanto les bleues socavam a lenha pelos capi em direção a San Remo. Quando chegaram ao Poggio, a dúvida era sobre qual dos dois venceria: o mais velho Gomez, que se profissionalizara perto dos 28 anos, ou a jovem estrela da Perseguição Individual (havia conquistado o Bronze nos J.O. de Moscou, 1980), Alain Bondue.

Os dois neo-pro (como dizem os franceses) mal conseguiam acreditar na enorme possibilidade que se abria à sua frente. Seus Diretores Esportivos, a partir dos carros de apoio, gritavam palavras de incentivo (não havia radinho naquela época!!). Porém, como bom Monumento que se preza, aquela Milano-San Remo ainda reservava um drama pertinho do final.

Fazia frio, vento e chuva no início daquela primavera européia. As estradas pareciam ter sido ensaboadas por um São Pedro fanático por ciclismo e louco por emoção! 

E aí, descendo a toda velocidade o Poggio, com San Remo e a perspectiva de glória a tão poucos quilometros, os nervos trairam o inexperiente Bondue que, nervoso, tombou duas(!!) vezes. Apesar de grande rolador, o nortista Alain não conseguiu alcançar Gomez, que tinha uma pinta de Woody Allen.

"Chute, chute!! Bondue a chuté!!!" gritava o locutor da TV francesa...sonhava eu...

"Chute, chute!! Bondue a chuté dans le Poggio!!!" gritava o locutor da TV francesa...sonhava eu...

Dois minutos depois, o pelotão dos favoritos sprintava pelo 3o lugar, vencido pela então nova promessa do ciclismo italiano: Moreno Argentin, que tinha apenas 21 anos. Este, apesar de vencer muitas Clássicas, etapas de Grand Tours e o Mundial, nunca conquistou a sua tão querida La Primavera.

1992: 10 anos após seu 3o lugar e muitas vitórias depois, Argentin perdia de novo em San Remo. Desta vez para um já veterano Sean Kelly

O Top 10 de 1982 foi:

1 Marc Gomez (Fra) Wolber, 7-04-12
2 Alain Bondue (Fra) La Redoute a 10sec
3 Moreno Argentin (Ita) Sammontana a 2-01
4 Francesco Moser (Ita) Famcucine
5 Tommy Prim (Swe) Bianchi
6 Claudio Bortolotto (Ita) Del Tongo
7 Silvano Contini (Ita) Bianchi all same time
8 Patrick Versluys (Bel) Boule d’Or at 2-42
9 Leo Van Vliet (Ned) TI Raleigh at 3-35
10 Walter Delle Case (Ita) Atala same time

Saronni, que era o principal favorito, viria a cair na descida do Turchino e abandonou a prova.

Gomez na Via Roma: falta de hábito atrapalhou a comemoração, que foi muito sem graça para tamanha conquista!

Após esta tremenda vitória (de sorte!), Marc Gomez conquistaria uma etapa da Vuelta do mesmo ano e o título de Campeão Francês de 1983. Virava estrela…cadente, pois nunca mais venceu nada minimamente importante.

Já o pistard Bondue (também foi duas vezes Campeão Mundial de Perseguição)…

Aqui ele brilhou...sempre largava como favorito na Perseguição Individual

… viria a ser um eterno favorito da Paris-Roubaix. No entanto, ele não passou de um 3o lugar (além de um 10o). Ah, assim como Gomez, ele também venceu uma etapa da Vuelta.

Alain voando pelos "pavés" de Roubaix, em 1984, para conquistar um honroso 3o lugar - vitória de Kelly

Como se vê, a Milano – San Remo 1982 teve no pódium dois ciclistas que, até hoje, são mais lembrados pela surpresa daquele resultado do que pelos seus feitos anteriores ou posteriores. Acontece nas melhores famílias, quer dizer, nas melhores Clássicas! Aguardem outras ‘zebras’ de 1a grandeza nos próximos posts.

Ciao! Fernando

PS: quem descobrir quem está na roda de Alain Bondue, na Paris-Roubaix acima, ganha uma caramanhola com Gatorade!

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Fim da Temporada 2011 – Análise

Caríssimos amigos, após um longa e tenebrosa Primavera, o blog está de volta. Muito obrigado, de coração, pelas inúmeras demonstrações de carinho de muitos de vocês, que andaram perguntando sobre o blog e sobre mim até no Maglia Rosa, do Zaka. Demais!

Vamos agora falar um pouco do que foi este ano de 2011 para o ciclismo pro internacional.

1. Aspectos Econômicos

Tema importantíssimo, pois nosso esporte é profissional e custa caro! Minha conclusão é uma só: catastrófico! O número de equipes de ponta desaparecendo (ou se fundindo com outra) foi recorde O desemprego por lá será triste e quem se recolocar vai ganhando menos. Nunca vi coisa igual nos mais de 40 anos que acompanho a coisa.

Os motivos são cristalinos:

(a) a Europa vive a PIOR crise econômica desde a II Guerra Mundial (1939-45) e investir em ciclismo não será uma prioridade para a maioria das empresas globais (até porque EUA e Japão também estão mal das pernas).

(b) A imagem do ciclismo afasta um número enorme de patrocinadores potenciais, porque estes temem associar suas marcas aos escândalos de doping.

Tudo isso é uma pena, pois a popularidade do esporte continua crescendo. Ao menos nas provas do World Tour. Para maiores detalhes, leiam a revista VO2 deste mês, onde assino um artigo sobre este tema.

2. Aspectos Esportivos

Aqui também, o ano de 2012 uma decepção para mim, salvo honrosas excessões.

Primeiro porque eu não curto essa de ciclista de 2a linha vencer grandes provas, para depois desaparecer na sua mediocridade. Todo gregario tem seu dia de glória e fico feliz por eles, mas eu gosto mesmo é de ver os ciclistas de ponta lutando pela vitória, e não fugitivos matinais conseguindo resistir ao retorno do pelotão. Questão de gosto apenas.

(a) O que eu gostei muito:

  • Phillipe Gilbert: foi um canibal à la Eddy Merckx, venceu o ano todo, atacou o tempo todo, fez o “grand chelem” Amstel-Flèche-Liège, foi campeão Belga de Estrada, vestiu-se de Jaune e Vert durante o Tour…sensacional!
  • Contador no Giro d’Italia: foi uma das maiores demonstrações de superioridade e humildade da história dos Grand Tours. El Pistolero venceu duas etapas, mas deixou duas ou três para seus parceiros de fuga. Destaque para a linda manobra que fez em cima do pelotão, permitindo que o antigo gregario – e hoje rival! – Paolo Tiralongo vencesse a dura 19a etapa, numa retribuição pelos serviços prestados no passado. Emocionante. Coisa de cavalheiro.
  • Mark Cavendish: só para refrescar a memória dos amigos, eu não curto o sprinter da Isle of Man (onde também nasceu o ex-rival de Piquet e Senna, Nigel Mansell). Mas ele atropelou o pelotão no Tour, com suas 5 vitórias (incluindo um tricampeonato no Champs Elysee) e o Maillot Vert. E vencer o Mundial com aquela subidinha na chegada, que fazia as pernas pesarem 200 kg cada, mereceu o meu respeito.

(b) Onde eu vi Altos e Baixos

  • Tour de France: apesar de belas etapas e algumas revelações interessantes, a Classificação Geral foi uma surpresa um tanto negativa. Eu curto muito o simpático e dedicado Cadel Evans, mas ele não entrará para os livros de história. E ao vencer Le Tour aos 34 anos de idade, bateu uma marca que vinha dos anos 20 (quase 100 anos)! Isto não mostra que Cadel está mais forte do que nunca, mas que seus concorrentes nunca estiverem tão fracos. A coisa está tão séria no pelotão, que até o quase aposentado Thomas Voeckler ficou pertinho do pódium, ficando em 4o lugar a apenas 3m20seg – ok, eu sei que ele tirou proveito de uma fuga matinal, mas em outros tempos o francês da Alsácia teria sido triturado pelo pelotão nas montanhas, só que este ano ele resistiu. Também não gostei da performance do co-favorito Samuel Sanchez. O quase-basco da Euskaltel venceu o G.P. da Montanha, mas na Geral foi apenas 6o e sofreu como corredor mediano. E eu acertei que o mediocre Basso seria…mediocre. Falaram tanto que ele não correria o Giro para entrar forte no Tour – não entrou e perdeu até para o Cunego, que há séculos não anda nada em Grand Tours…mas se este ano “Il Piccolo Principe” foi 7o no Tour, definitivamente teve algo de muito errado em julho. Os pontos positivos, para mim, foram: (a) Gilbert, lutando o tempo todo (em Jaune e Vert); (b) a pequena Noruega, com seus Vikings Hushvod e Boasson-Hagen, venceu 2 etapas com cada um – e para aquele país tão pequeno, vencer 4 etapas num Tour é motivo para feriado nacional; (c) Jelle Vandenant, gregario da Omega Pharma-Lotto e que deu show nas montanhas, após o seu azarado líder Jurgen Vandenbroucke se quebrar logo no início do Tour; (d) FRANÇA: apesar de só vencerem uma etapa, os franceses atacaram com vontade este ano e tiveram dois Top 10 (Voeckler e Peràud), lideraram as diversas Classificações várias vezes e, especialmente, mostraram uma revelação que vale acompanhar: Pierre Rolland. O jovem de 25 anos foi 11o na Geral e venceu com brilhantismo em L’Alpe d’Huez. Eu assisti e não foi ‘acidente’, foi competência. Já disse e repito: o ciclismo precisa de uma França forte de novo! Além da tradição que os gauleses têm no esporte e do fato do Tour chamar-se “de France”, o país é terceiro mais rico da Europa e suas empresas podem injetar mais dinheiro no esporte; (e) EUROPCAR: a simpática equipe de Jean-Renè Bernaudeau (ex-colega e ex-vítima de Hinault) andou forte com Voeckler e Rolland, chegando a liderar a Classificação por Equipes.

3. O que eu não gostei

  • Clássicas não vencidas por Gilbert: em San Remo (Goss), Roubaix (Vansummeren), Flandres (Nuyens), Tours (Van Avermaet), Lombardia (Zaugg … quem?). Fala sério, alguém vai lembrar desses nomes daqui a dois anos? Difícil… As demais Clássicas foram todas vencidas por Gilbert (as que já citei mais San Sebastian) ou pelas honrosas exceções Boonen (Gent-Wevelgen) e Boasson-Hagen (Cyclassics).
  • Cancellara: vítima de sua potencia e arrogância, o suiço era a bola cantada para 2011 (muitos o achavam imbatível), mas foi a decepção da temporada. A sua vitória humilhante no GP E3, em abril, transformou Spartacus no homem a ser marcado pelo pelotão inteiro. As equipes de ponta (Garmin, Quick Step, Saxo Bank, Omega Pharma, Rabobank e HTC) passaram a Primavera atacando Cancellara e sua Leopard sem piedade, com a diferença que os líderes destas equipes rivais ficavam grudados na roda do suiço (enquando aguentavam…). Mas ele não foi apenas vítima da anti-corrida dos adversários: Fabian foi arrogante no Tour de Flandres e foi batido por um Nick Nuyens (Saxo Bank), que muitos já devam como morto e sepultado, para DELÍRIO de Bjarn Riis, ex-boss de Cancellara. Para completar o vexame, conseguiu perder o CRI do Tour e o Mundial CRI para o “sucessor” alemão Tony Martin (mesmo nome de um antigo vocalista do Black Sabbath, alguém lembra disso?).
  • Schlecks: olha, os irmãos devem estar repensando suas carreiras, após servirem para adornar os pódiuns da LBL para Gilbert e do Tour para Evans. Supostamente, o “dois contra um” deveria ser um ponto a favor dos irmãos, mas nas duas provas foram batidos para homens sem equipes de apoio. Ficou feio demais na minha opinião.
  • Leopard: vexame coletivo, que acabou em vexame financeiro. A vitória na Lombardia por Oliver Zaugg, o desconhecido gregario dos Schlecks, foi quase um piada de mau gosto, dado que a equipe já havia sido absorvida pela americana Radio Schak. Não venceram nada de maior destaque na Primavera e foram para o Tour sem patrocínio (e lá só venceram uma etapa com Andy S.). Triste jornada para um arrogante golpe de publicidade, com cheiro de traição para com a Saxo Bank, que ao final acabou se dando bem melhor.
  • Itália: o ciclismo da “Bota” foi tão bem em 2011 como a performance econômica do país e do seu Picareta-mór Silvio Berlusconi. O país tem 3 ciclistas para se falar a respeito (Basso, Nibali e Scaporni) e nenhum deles foi protagonista de qualquer corrida de 1a linha.
  • GEOX: a festejada equipe do ex-boss da Saunier Duval (do nosso campeão Luciano Pagliarini) Mario Gianneti entrou no Giro para vencer e fez um papelão na casa do patrocinador. Sempre achei que a dupla líder da equipe, Menchov/Sastre, já passou do ponto, mas seguramente entraram desmotivados e/ou mal preparados. No Tour nem largaram por falta de ‘wild-card’. Aí veio a Vuelta e, para surpresa geral, o gregario veterano Cobo venceu (vexame para vários protagonistas mais jovens)…apenas para descobrir que estaria em breve desempregado, porque a equipe fecharia as portas no final de temporada. Espero que o bravo Cobo se recoloque em 2012.

Agora me digam: eu estou muito negativo? É que eu acho que o ciclismo pro vive uma crise econômica e esportiva, pois há poucos ciclistas com classe e carisma, e nações importantes do esporte estão em queda ou estagnadas (Itália, Espanha, França).

Opinem e critiquem, por favor. Vamos fazer deste post um forum sobre o tema, pois 2012 está aí.

Abs, F.

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Domingão ciclístico: Vuelta + Plouay

Amigos – neste domingo a Vuelta encerra sua primeira semana com uma chegada em alta montanha, justo na terra do tri-campeão que caiu em desgraça pelo doping Roberto Heras, em Bejar.

Por enquanto o simpático catalão Joaquim “Purito” Rodriguez vai confirmando sua vocação de atacante-nato. Lidera merecidamente após duas vitórias de etapas, sempre com ataques fulminantes na última rampa. É o que se chama na França de “finalizador” de estapas de montanhas.

Curiosamente, Purito tem o físico oposto ao de Phillipe Gilbert, mas foi ele quem mais atacou o belga na sua ‘fase canibal’ de abril. Perdeu todas mas atacou sempre e eu o admiro por isso. Até o início deste ano o catalão assinava uma interessante coluna mensal na revista espanhola Ciclismo en Ruta e era muito legal acompanhar suas observações sobre o pelotão e a vida de um profissional. Ele é um típico pro europeu, que trata o ciclismo com a devida seriedade, mas que este é apenas um trabalho/emprego, i.e. cabe a devida ambição mas não o sacrifício supremo. Lendo suas observações – e a de tantos outros ao longo destes meus mais de 35 anos de “carreira” – fica claro porque tão poucos se destacam demais e por tantos anos. O nome disso é obsessão. Purito é muito forte e capaz, é dedicado, mas não é obsecado pela sua profissão. Poderá ganhar esta ou outra Vuelta, mais uma Vuelta a Catalunha ou prova similar, mas nunca irá muito além disso.

Comparar a sua visão de mundo com as de um Merckx (que se dizia inseguro e por isso atacava tanto e sempre), de um Hinault (que corria pela glória, pelo “panache”) ou de um Armstrong (este redefiniu o significado das palavras obsessão, superação, determinação e outras), mostra claramente a diferença na lista de vitórias. Eu já fui meio obsecado na minha carreira executiva, fiquei estressado, doente e…não quero (e não consigo) mais ser um destes…estou na minha fase Purito Rodriguez de vida…rs.

A Vuelta, até agora, está sem brilho, mas isso é porque o ciclismo vive uma fase de pouco brilho mesmo. Já escrevi isto aqui e em outros cantos da blogosfera. Nibali e Scarponi brigarem por Maillot de líder de qualquer Grand Tour prova isso, porque são apenas bons ciclistas profissionais, não Grandes ciclistas. Outros craques, como os Schlecks, vem demonstrando limitações sérias. Até a vitória do mega-simpático Evans, aos 34 anos de idade e muito pouca vitória na vida, reforçam esta minha visão um tanto pessimista. Contador é o único fora-de-série desta geração – e de longe -, tendo provado isto no Giro…mas também foi muito mal no Tour, não conseguindo fazer o ‘double’ mais famoso do ciclismo (que fizeram Merckx, Hinault, Indurain…).

Francamente, não espero muito desta Vuelta. Não consigo ver ninguém se destacando com panache e acho que teremos uns 3 ou 4 brigando até o final. Emocionante sim, brilhante não. Espero estar enganado. Estou torcendo pelo Purito!!

Vive la Bretagne– a terra de Hinault, de Bobet, de Robic e de tantos ciclistas de renome receberá neste domingo a 75a edição do G.P. de Plouay. Com seus quase 250 km, a prova é disputada num longo circuito (19 km), duro, ondulado, que já até serviu para o Campeonato Mundial de Ciclismo, em 2000.

Zebra Lituana em Plouay...até eu me surpreendi com o sprint de um pelotão seleto

Nos tempos áureos do ciclismo havia tamanho número de corridas de alto nível na Europa, que o G.P. Plouay não costumava ser corrido pela elite do pelotão internacional – era uma corrida de alto nível doméstica. Motivos não faltavam: muito dura, pagava pouco e era circundada por outras corridas de maior prestígio, tais como Mundial, Paris-Tours.

Os franceses a corriam como preparação para o Mundial e os ciclistas de outros países se preparavam em casa mesmo. Vale relembrar que o Mundial era corrido no fim de agosto e a turma havia acabado de correr o Tour e focava principalmente nos “criteriums” caça-níqueis….

De fato, o primeiro estrangeiro a vencer em terras bretãs foi o mediano holandês Fritz Pirard, em 1979. Mas a partir dos anos 80 o prestígio da prova cresceu e ciclistas de classe mundial passaram a participar e vencê-la.

Sean Kelly, a primeira estrela internacional a vencer na Bretanha

Quando Sean Kelly a venceu em 1984, outros grandes pareceram se animar com a tradição e seus rigores. Além da nata francesa, a lista de vencedores internacioanais é curta mas respeitosa: Andrei Tchmil (1994, ano que venceu a Paris-Roubaix), Frank Vandenbroucke (1996), Michele Bartoli (2000), George Hincapie (2005), uno giovane Vincenzo Nibali (em 2006).

Para a edição deste domingo, a mídia internacional está dando muito destaque para o vencedor da edição de 2007, Thomas Voeckler. O chouchou dos franceses, que originou o termo Voecklermania, venceu com autoridade naquele ano e neste 2011 está em estado de graça. Não correu prova alguma após o Tour e virá motivado e descansado, para tentar uma última vitória de prestígio antes da aposentadoria (que chegará ao final deste ano).

Le Voeckler, toujours a la ataque...ici en Plouay 2007

Agora, ao pesquisar para este texto (ou alguém acha que eu sei tudo isso de cabeça?), eu relembrei que o vencedor do ano passado foi um então sprinter-embalador chamado Matt Goss, que bateu o sprinter maison da Garmin, Tyler Farrar. Foi uma surpresa geral, afinal, Tyler poderia perder para o líder da HTC Mark Cavendish, mas não para o seu embalador. Bem, o fato é que Goss mostrou em Plouay que ele não era apenas “mais um embaladorzinho rápido”, mas que tinha sim talento de sobra…até para vencer a Milano-San Remo de 2011!

Matt é fera e vai brilhar muito...Tyler é rápido mas limitado

 Encerrando o post, está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas quem é o favorito mesmo para vencer a prova…nada a declarar…

O homem quer ganhar tudo em 2011 !!

Abraços e bom domingo ciclístico a todos!! F.

 
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Um certo Pedro Delgado fala sobre um certo Miguel Indurain

Buenos dias, amigos! Calma, eu não esqueci do post das “equipes K“, mas como ele demanda muita pesquisa e este assunto legal me caiu no colo eu resolvi passá-lo na frente. Mas as “K” vêm aí!

Na Europa existe a tradição de se batizar os Gran Fondos (corrida de verdade aberta para qualquer participante, assim como as maratonas) com nomes de grandes campeões. E neste último domingo aconteceu a 18ª MARCHA CICLOTURISTA PEDRO DELGADO, cujo tema (sim, há o tema do ano também…que diferença, não?!) foi o 20o aniversário da primeira vitória de Indurain no Tour de France.

Bom, e daí? Daí que Pedro “Perico” Delgado assina a carta de apresentação da Marcha com palavras muito bonitas sobre o seu ex-gregario. O texto abaixo está num espanhol muito claro e simples de se entender. Destaco duas coisas:

  • Como um campeão muito carismático como Perico (venceu 1 Tour, tem outros 2 pódiums, venceus 2 Vueltas), é comentarista famoso na Espanha, etc., não se deixa levar pela vaidade e homenageia um outro campeão. A coisa mais fácil do mundo seria haver vaidades, perrengues, etc. Mas não, existe a amizade, o reconhecimento dos feitos do outro campeão e isso merece destaque.
  • Delgado me emociona ao dizer no último parágrafo que Miguel foi mais que um grande vencedor de corridas, mas também “um Senhor, um Cavalheiro, praticou o Fair Play, ao vencer e deixar vencer”. 

Para concluir, destaco outros aspectos do documento abaixo:

  • O poster com os dois campeões em Jaune e a montagem do parisiense Arc du Triomphe com o segoviano Aqueduto Romano. Segóvia é a cidade natal de Perico e este aqueduto de mais 700 m de comprimento e ‘apenas’ 1.800 anos de idade, é o grande símbolo da cidade – junto com Pedro Delgado!
  • A foto da capa da edição da 2af pós Tour, do jornal francês L’Equipe. Além da foto de Miguel I (numa brincadeira do jornal ao tratá-lo como realeza), temos o inacreditável tombo de Djamolidine Abdoujaparov. O “Terror de Tashkent” (seu apelido em relação a capital do seu país: o distante e pouco conhecido Usbequistão), que sprintava de forma muito perigosa, trombou sozinho com a grade de proteção, metros antes da linha de chegada da etapa final do Tour no Champs Elysée (vestido com o Maillot Vert!!). Graças ao tombo dramático – eu achei que o cara tinha morrido -, o Fantástico da TV Globo passou a cena…se não tivesse tombo, dane-se o ciclismo! A vitória da etapa acabou ficando para o fortíssimo alemão (ex-Oriental) Olaf Ludwig (campeão Olímpico em Seul, 1988), seguido do russo finalizador Dimitri Konishev (que foi derrotado por Mauro Ribeiro no Tour de 91). O alemão corria para a potente Panasonic, equipe que sucedeu a ainda mais dominadora TI Raleigh. Outra curiosidade, Abdou (para os íntimos) era o único ciclista profissional que professava a religião muçulmana.

Mas vamos à carta de Pedro Delgado:

20 aniversario de la
1ª victoria Miguel Indurain en el TOUR de Francia  

Cartel 2011

 

LE ROI MIGUEL

Todos nos hacemos mayores, hay que ver, hace 20 años que Miguel ganó su primer Tour. Recuerdo con incredulidad mi caso en 2008. La conmemoración del décimo aniversario, no parecía tanto, pero los 20… Perdonarme este lapsus de nostalgia, pero muchos de vosotros, que hayáis seguido más o menos de cerca nuestra trayectoria deportiva, le pasará algo parecido.

Pues sí, este año en la marcha quiero rendir honores a la primera victoria de Indurain en el Tour. Como tantas cosas en la vida, la primera vez de algo, permanece más en nuestra memoria en el tiempo que otras de la misma relevancia.

Muchos aficionados pensaron que el primer Tour de Indurain, tenía que haber sido el del ’90. Pero en aquel entonces, nuestro campeón tenía mucho respeto a la última semana, porque entre que estaba lo más exigente de la carrera y donde la fatiga se convertía en agonía, no estaba muy convencido que pudiese asumir esa responsabilidad. Eso sí, ese año le sirvió para ‘digerir’ perfectamente una carrera de 3 semanas, junto con la alta montaña (con victoria en la etapa de Luz Ardiden). Fantasmas que a un buen corredor le provocan miedo a la hora de querer coger la responsabilidad en el equipo.

Así, en ese 1991 íbamos a ser dos líderes en el Banesto para el Tour, pero sólo habrá un ganador. ¿Qué pasará? Como se dice siempre en el ciclismo, ‘la carrera pone a cada uno en su sitio’. Yo no iba muy fino, me notaba sin chispa a lo largo de los días, había corrido demasiado antes de afrontar la ronda francesa. Me gustaba competir y descansar, para mantenerme fresco, pero por aquel entonces era competir y competir para coger la forma. Por otro lado, Miguel seguía progresando venía de hacer 2º en la Vuelta, detrás de Mauri.

13ª Jaca- Val Louron

Fue el primer triunfo de Miguel en el Tour, luego vinieron otros, pero los primeros son algo especiales, pues tienes incertidumbres de todo tipo. Los años posteriores no fueron fáciles, pero todo su potencial estaba ya desarrollado. Así vimos a un ‘extraterrestre’ en la contrarreloj de Luxemburgo en el ‘92, grandes duelos individuales con Tony Rominger en ‘93, o Pantani en el ’94, o contra todo un equipo, la ONCE en Mende en 1995, en la mejor versión que he visto de Indurain, por su ambición en carrera y no reservarse en las contrarrelojes para marcar la diferencia. Después llegó ‘el Tour Que No Ganó’ y una despedida del ciclismo demasiado inesperada.

Miguel ha dejado como herencia al ciclismo, no sólo los 5 Tour, 2 Giros e innumerables éxito (medalla olímpica incluida) sino el ciclista que es todo un Señor, un Caballero, el deporte del Fair Play, de ganar y dejar ganar y todo esto vale también otros toures. velo).

Pedro Delgado

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Por essa eu não esperava…surpresa do dia, ou do ano!

Amigos,

Por um desses milagres da internet, um site dedicado ao Pais Basco deparou-se com o nosso post recente O Rico Ciclismo Basco e, satisfeito com o que leu, resolveu publicá-lo.

Estou muito feliz com este fato! E estou certo que o mais basco dos ítalo-brasileiros, o Juca, também ficará!

http://blog.aboutbc.info/2011/08/16/una-vision-del-ciclismo-vasco-realizada-desde-brasil/

Abraços!

Fernando

PS: o dia será corrido, mas estou preparando um post sobre as grandes equipes espanholas do passado – todas com a letra “K” -, nesta semana dedicada para a Vuelta a España.

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